Como disse no final da crítica sobre o volume um, fui conferir onde a continuação da história do Chico Bento
Jovem – digo, Moço – ia dar. Já tinha desistido de acompanhar porque tô muito
afim de comprar uma coleção do Speed Racer que vai estourar meu orçamento para
HQs, mas não resisti ao passar pela banca e ver a cara do rapazote desesperado.
Crítica:
Chico Bento Moço – Volume 2
Contrariando o que eu pensei a
princípio, o segundo volume consegue sim manter a pegada da introdução. Embora
aqui a história seja um pouco mais rápida, o sentimento e a dedicação
depositados nela são nítidos em todas as páginas.
Se faltaram os personagens
clássicos, sobraram apresentações. A trama segue de onde a revista anterior parou,
mantendo a ideia de linha do tempo reta que eu havia comentado. Chico chega à
cidade grande e logo nos primeiros minutos sua ingenuidade, somada à falta de
um celular, lhe prega um susto. Logo na primeira página já consegui novamente
me associar à história do garoto, suas preocupações e primeiros desafios. Morar
com gente estranha, com hábitos diferentes, em uma cidade diferente, não é
brincadeira.
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| Você ainda não viu nada, Chico... |
Chico tem dificuldade para
dormir, come mal para economizar o dinheiro que o pai lhe manda, fica bravo com
a barulheira do colega rockeiro e se sente sozinho. Todos os colegas da pensão
são muito reservados e demora pro garoto entender que na verdade todos têm os
mesmos problemas: saudades de casa, medo de estar incomodando os demais, insegurança
para fazer novas amizades. Nosso herói resolve toda a situação, une todos e
lidera a organização do lugar onde moram, como era de se esperar.
Não tem muito do que se falar
dessa edição. É vital para a continuidade da história por apresentar os
personagens, o ambiente onde tudo se passará e estabelecer tramas. Novamente,
vale a pena comprar se for um fã das histórias da turminha da roça.
Resolvi escrever essa criticazinha
somente por conta de um momento. Chico estressado por conta de toda turbulência
da cidade encontra no parque local o lugar ideal para descansar. Lá conhece o
zelador rabugento do local que só muda de expressão quando vê o quanto o menino
gosta da natureza. Ele até convida o jovem para trabalhar de assistente, mas
Chico recusa para evitar ser zoado pela turma da república. Esse trecho me
surpreendeu demais! E mostrou todo potencial de realismo que tem o título. É claro que certas coisas se resolvem
rapidamente por conta do tamanho de cada edição, mas situações diferentes como
essa são as que me fazem nutrir ainda mais carinho pelo personagem. Quando
Chico mostra que aquele garoto inocente, que só queria roubar goiaba e nadar no
riacho o dia todo, também tem preconceitos e quer se enquadrar no padrão dos
outros, vemos o quanto a criação de Maurício de Souza é humana. E é por isso
que seguirei investindo em suas obras.
E ah, quem não comprou ainda pode
aproveitar e comprar aqui no site da Panini, que está enviando totalmente de
graça o volume 0 para quem faz compras online.



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