No segundo semestre desse ano a
Editora Salvat, em parceria com a Panini, realizou um de meus sonhos ao
anunciar a publicação no Brasil da Coleção Oficial de Graphic Novels Marvel, um
prato cheio de orgasmos nerd lançando em 2011 pela editora francesa Hachette
Partworks em alguns países de língua inglesa como Reino Unido (que não é um
país e sim um Estado formado por vários países, mas você entendeu), Irlanda,
África do Sul e Austrália. Essa coleção contém todos os melhores arcos do universo Marvel reunidos em edições únicas, o
que é a maior mão na roda para quem sempre quis ter as HQs, mas nunca conseguia
comprar todas as revistas de zilhões de títulos diferentes para completar as
histórias. Cada revista – ou livro – é impressa em papel de qualidade, com capa
dura e verniz localizado, e além de conter informações para situar o leitor do
ponto do qual a história vai partir, inclui também informações sobre o artista,
o roteirista e rascunhos das páginas, o que faz jus ao salgado preço de cada
volume. Como esse post não é pago (Quem dera!) e quem se interessa por
qualidade de papel tá trabalhando em gráficas ao invés de estar lendo esse
blog, vamos logo ao que interessa.
Crítica:
Para começar com o pé direito (E
esse preconceito com canhotos?), nada melhor do que o personagem favorito de
todo mundo em uma história bem diferente do habitual. Muito se fala da
genialidade do lendário Stan Lee ao criar um personagem, lááá em 1962, que ia
contra todas as regras e parâmetros estabelecidos pela indústria de quadrinhos.
Na época, um super-herói era sempre um homem adulto, geralmente um modelo de
perfeição a ser seguido (a maioria tinha carreiras de sucesso que normalmente envolviam
bombas explodindo em suas caras e lhe garantindo superpoderes – típica situação
win win), e seus sidekicks eram moleques insossos que ninguém queria ser amigo.
Lee deu um passo à frente fazendo de Peter Parker não somente um adolescente,
mas um eterno perdedor com o qual todos podem se identificar. Ao longo de 51
anos, o amigão da vizinhança passou por muitas e boas, lutando para manter o
mundo livre de vilões, conquistar a atenção do amor de sua vida e pagar o
aluguel em dia, coisas normais do dia a dia de qualquer ser humano.
O que?
Vocês também não combatem o crime durante a noite?
Enfim, seja qual for a trama, existe
sempre algo com o qual o leitor possa se relacionar (como vender seu casamento
para o Tinhoso em troca da vida de sua tia de 80 e tantos anos), tornando a
leitura melhor ou pior. E é nesse ponto que De Volta Ao Lar me ganhou: eu não poderia ter lido essa história em
momento melhor! Além de ser o marco do início de uma era muito bem sucedida nas
mãos de J. Michael Straczynski e John Romita Jr, claro.
Na trama, Peter sofre mais uma
derrota do destino. Não aquele Destino. Após uma sucessão de problemas com
vilões, Mary Jane o deixa por não suportar viver com um homem que fez escolhas
que tornam o casamento insustentável. Desiludido, o Cabeça-de-Teia faz o que
todos temos vontade quando os pensamentos não dão trégua: sai por aí destruindo
coisas. Numa dessas andanças, Peter acaba voltando ao Colégio Midtown, que está
em péssimas condições, embora algumas coisas nunca tenham mudado. Após um
encontro com um estranho com os seus mesmos poderes, Peter é indagado sobre a
origem de suas habilidades. Em dúvida sobre os motivos reais de sua luta, decide
que pode fazer a diferença e volta ao colégio, quando enfrenta um dos
adversários mais chocantes da sequência e acaba se tornando o novo professor de
ciências. Nesse meio tempo, somos apresentados ao vilão principal da história,
Morlun,
que por sinal estreia nessa edição. O estranho (Ezekiel)
conta a Peter sobre os poderes do vilão e oferece proteção. O Aranha
gentilmente recusa, já que dessa forma ele estaria dando as costas aos seus
problemas e todos sabemos que COM GRANDES PODERES VEM GRANDES
RESPONSABILIDADES, EZEKIEL MOLÓIDE! Ao se encontrar com Morlun, Peter logo se
arrepende pois seu soco é mais poderoso que o do Hulk e o do Thor. Pois é, pois
é, pois é! Após apanhar muito, muitos inocentes serem assassinados e Ezekiel
entrar na briga e também levar porrada, o Homem-Aranha já se considera
derrotado e como não sabe o telefone do Quarteto Fantástico (Sério!) decide se
despedir de seus entes queridos. MJ faz sua última vadiagem ao não atender a
ligação, o que nos leva à parte que me levou às lágrimas: o telefonema para tia
May. A partir daí o ritmo se acelera e, em uma solução totalmente Deus-Ex
Machina, Morlun é derrotado, a vida é bela de novo (não são minhas palavras) e
ainda sobram páginas para um final histórico de deixar o leitor de boca aberta.
De Volta Ao Lar vale a pena por ser ao mesmo tempo uma trama
simples e que se dá o trabalho de tratar de assuntos nunca antes levantados nas
HQs do aracnídeo, entre problemas do sistema educacional e os jovens que estão
formando, passando pela possibilidade real de morte e o fato de não estar tão
sozinho quanto imagina, até a interrogação genial sobre a picada da aranha ter
sido acidental ou uma mensagem. Além disso, como sempre leva a risca seu
próprio credo, toda história do Homem-Aranha carrega uma grande mensagem (Assim
como todo episódio do He-Man.), basta vontade – e às vezes experiência – para
entendê-la.
Nenhum comentário:
Postar um comentário