domingo, 29 de setembro de 2013

Crítica - Surpreendentes X-Men: Superdotados

Nunca havia lido nada de Surpreendentes X-Men. Em parte por conta da enorme dificuldade de se completar ou assinar coleções morando no interior, em parte por conta de um preconceito com a arte de John Cassaday. Com a chegada do segundo volume da Coleção Oficial de Graphic Novels da Editora Salvat, que inverteu a ordem de lançamento da coletânea original (O segundo volume da versão gringa foi o arco lendário de Os Fabulosos X-Men, Fênix Negra.), me vi obrigado a consumir o título. E fico feliz por tê-lo feito, quase dez anos depois, porque foi bom ver como meu eu adolescente não poderia estar mais errado.

Crítica:
Confesso que graças à minha visão errônea do trabalho de Cassaday demorei um pouco para ler. Não gostei da capa e mandei a expressão que diz para não julgar o livro por ela para escanteio por uns dias. Também tive a prepotência de assumir que Joss Whedon, respeitadíssimo e bem sucedido roteirista, diretor e produtor de cinema e televisão, além de co-autor de um dos meus filmes favoritos de todos os tempos – Toy Story – e diretor de dois dos melhores episódios de The Office, não faria algo bom em X-Men e quebraria o encanto.

Logo na introdução, antes mesmo de começar a história, me senti satisfeito ao ver que a trama começava justamente do ponto onde abandonei a leitura, após a saga do Vírus Legado, seguindo o retorno de Lince Negra, a gênio dos computadores (e jailbait) Kitty Pryde, à equipe reformulada dos X-Men. Assim como O Espetacular Homem-Aranha: De Volta Ao Lar, Superdotados parte de um momento de separação. A equipe de mutantes se dividiu em duas e Ciclope, junto da “ex-vilã” e agora namorada Emma Frost, se tornou o líder de facto da equipe principal, que também conta com Fera e o recém-convocado Wolverine. Como de costume a opinião pública está contra os mutunas, então Scott quer dar um “golpe de publicidade” para melhorar a imagem do grupo, surpreender a todos e... uau! Não é que a máxima “tudo que Joss Whedon toca é ouro” (patente pendente) é verdadeira? Em uma fluidez absurda somos levados de uma discussão sobre uniformes até uma tentativa de organizar o funcionamento da equipe em missões de resgate que podem chegar aos noticiários e tocar a sociedade. Nossos heróis só não contavam com a primeira aparição do vilão Ord, um alienígena cujos planos não revelados (Motivo de gozação por parte do Fera.) incluem a destruição de todos os mutantes, algo que convenientemente acontece quando é anunciada uma cura para o gene mutante.

Whedon trabalha aspectos modernos como manipulação de mídia e conscientização de massas o tempo todo, mostrando como a comunidade mutante, sempre rechaçada pelo próximo mesmo após salvar o mundo diversas vezes, reage diante de uma notícia que a poria em par de igualdade com aqueles que tanto a temem. Enquanto o X-Man honorário Lockheed põe Ord pra correr, Dr. Hank McCoy vai atrás de uma velha colega para descobrir mais sobre a tal cura mutante. A não aceitação de seu lado bestial, já tendo sido um homem de aparência normal, é um tema recorrente na construção de personalidade do Dr. McCoy, e nessa edição é interessante ver como Logan, que é o extremo oposto do Fera – um homem comum que se entrega ao seu lado animal, – age com maturidade e responsabilidade (Ou seja, socando impiedosamente.) quando o companheiro de equipe oscila.

Abro um parêntese aqui para comentar também como minha opinião sobre Cassaday mudou. Não era fã de seu traço mais realista e quadrado por ser amante da velha escola de personagens com corpo de boneco, mas, com exceção das capas, gostei de tudo que ele fez aqui. Profundidade, jogo de sombras e até as expressões mais cartunescas nas reações das personagens se encaixam perfeitamente e agregam muito ao roteiro.

Ao descobrirem algo muito mais sinistro por trás da cura mutante – que por sinal é comparada em alguns momentos com cura para homossexualidade, um assunto tão recente que também foi utilizado de forma alegórica em X-Men: First Class – os filhos do átomo invadem o laboratório de pesquisas, onde enfrentam Ord novamente, enquanto Kitty é forçada à enfrentar algo totalmente inesperado. Whedon nunca escondeu que se inspirou na personagem para a criação de Buffy e em seu período na Marvel prestou grande serviço a ela, tornando o desenvolvimento da maturidade da garota é um dos pontos-chave da trama e o que o mantém o roteiro amarrado. Um personagem querido retorna do mundo dos mortos (O que seria uma grande surpresa se o verso do livro não tivesse sua imagem estampada.) e quase resolve sozinho e de forma contundente a luta contra Ord.

Nesse momento mais uma vez o toque de Whedon se fez presente. A S.H.I.E.L.D., mostrando que nem tudo em história em quadrinhos é preto e branco (Conforme seria apresentado também em Os Vingadores anos mais tarde.), interrompe a pancadaria informando que os ocorridos não passam de uma manobra diplomática da S.W.O.R.D. (O governo e seus acrônimos...), portanto os X-Men não podem fazer nada. Exceto Wolverine, que com duas palavras (Cannonball Special!) põe tudo abaixo. Algumas discussões sobre a filosofia e importância de cada membro, a alegria pela volta do companheiro caído e, como em De Volta Ao Lar, um final com um baita teaser para a próxima edição encerram a história.

Superdotados não mexeu comigo como a história do Homem-Aranha, mas vale muito a pena por ser extremamente divertida – todos os heróis tem sensos de humor que se complementam – e contar com um roteiro fora de série que, conforme citado anteriormente, trata de questões tão atuais e desenvolve personagens de maneira única, colocando um pouco de cinza na eterna e interminável luta do bem contra o mal.

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