Todos aqueles que têm na leitura de quadrinhos
de super-heróis um costume, já desejou ter também alguns poderes. Talvez as
pessoas... comuns, por falta de um termo apropriado, ao assistirem algum filme
do Super-homem, ou mesmo algo como Vingadores, já deve ter se imaginado com a
capacidade de voar, ter uma armadura igual a do Homem-Ferro ou madeixas iguais
as do Thor. Ou ter a Natalie Portman.
É, na conta final, Thor é o que tá melhor desses heróis todos.
De qualquer forma, ansiar por capacidades além das suas é algo comum, ainda mais quando elas o tornariam tão superior aos outros; e isso vale para capacidades físicas, especiais ou mentais. Usar essas capacidades para lutar pelos fracos e oprimidos talvez seja um desejo um pouco menor no coração das pessoas, mas deve existir aqui e ali. E é isso que Combo Rangers sempre foi, uma história de jovens que tem esse desejo de usar seus poderes para lutar pelo amor e pelo sorriso das crianças.
A série percorreu um longo caminho até aqui, tendo começado na internet, há mais de uma década, e posteriormente indo para revistas. Eu, particularmente, acompanhei somente da fase em quadrinhos físicos; e lá a série já mostrava bastante maturidade e consistência. Ficava óbvio em cada história o amor de seu autor, Fábio Yabu, pelos super-heróis e suas fantásticas aventuras em quadros. Amor este que ele aplicava completamente em Combo Rangers, tornando-a a melhor representação de super-heróis brasileiros.
Quadrinhos nacionais sempre sofreram para conseguir seu lugar. Desde os tempos de meu pai – que até hoje tem como hobby produzir quadrinhos – quando havia um grande foco em criar os super-heróis brasileiros; até os momentos mais recentes, onde minha geração sofreu uma influência extrema dos quadrinhos e animações japonesas e começou a produzir conteúdo do mesmo tipo.
O Yabu, por outro lado, nunca se prendeu a nenhum dos lados, e Combo Rangers é uma grande amálgama desses dois mundos. Enquanto a ideia geral do grupo de heróis é obviamente baseada nos grupos de super sentai japoneses (ou seja, Power Rangers e afins, como o próprio título da série do Yabu deixa claro), a ideologia sempre foi muito mais voltada para o que os escoteiros super poderosos ocidentais pregam. Essa combinação, temperada sempre com influências e referências dos dois lados, tornou Combo Rangers algo quase único e surpreendentemente interessante.
Combo Rangers até aqui
Como já havia dito, acompanhei os Combo Rangers somente em sua versão física. Mais especificamente, as fases formatinho da JBC e formato americano da Panini; esta, a última saga dos Guerreiros do Amor até este ano, e que por muito tempo pensei que seria a última definitivamente.
Desde a fase da JBC a série já possuía um universo bem desenvolvido e demonstrava bastante maturidade. Enquanto havia histórias simples que traziam humor e ação, como Num Piscar de Quatro Olhos, Meia-Noite é o nome da vingança e Combo Ranger por um dia, existiam também aquelas com tom mais sério, como O legado de um Supercampeão e Um mundo de Zeros e Uns.
A edição do Supercampeão, além de uma homenagem ao Super-homem e seus parceiros heroicos americanos, questiona algumas mudanças que ocorriam nas histórias destes, que tentavam alcançar um lado mais sombrio em suas tramas, o que as sobrecarregava de violência desnecessária e tirava o foco do ideal dos heróis – que os Combo sempre seguiram tão bem – de lutar para proteger algo, ao invés de lutar somente por lutar.
É, na conta final, Thor é o que tá melhor desses heróis todos.
De qualquer forma, ansiar por capacidades além das suas é algo comum, ainda mais quando elas o tornariam tão superior aos outros; e isso vale para capacidades físicas, especiais ou mentais. Usar essas capacidades para lutar pelos fracos e oprimidos talvez seja um desejo um pouco menor no coração das pessoas, mas deve existir aqui e ali. E é isso que Combo Rangers sempre foi, uma história de jovens que tem esse desejo de usar seus poderes para lutar pelo amor e pelo sorriso das crianças.
A série percorreu um longo caminho até aqui, tendo começado na internet, há mais de uma década, e posteriormente indo para revistas. Eu, particularmente, acompanhei somente da fase em quadrinhos físicos; e lá a série já mostrava bastante maturidade e consistência. Ficava óbvio em cada história o amor de seu autor, Fábio Yabu, pelos super-heróis e suas fantásticas aventuras em quadros. Amor este que ele aplicava completamente em Combo Rangers, tornando-a a melhor representação de super-heróis brasileiros.
Quadrinhos nacionais sempre sofreram para conseguir seu lugar. Desde os tempos de meu pai – que até hoje tem como hobby produzir quadrinhos – quando havia um grande foco em criar os super-heróis brasileiros; até os momentos mais recentes, onde minha geração sofreu uma influência extrema dos quadrinhos e animações japonesas e começou a produzir conteúdo do mesmo tipo.
O Yabu, por outro lado, nunca se prendeu a nenhum dos lados, e Combo Rangers é uma grande amálgama desses dois mundos. Enquanto a ideia geral do grupo de heróis é obviamente baseada nos grupos de super sentai japoneses (ou seja, Power Rangers e afins, como o próprio título da série do Yabu deixa claro), a ideologia sempre foi muito mais voltada para o que os escoteiros super poderosos ocidentais pregam. Essa combinação, temperada sempre com influências e referências dos dois lados, tornou Combo Rangers algo quase único e surpreendentemente interessante.
Combo Rangers até aqui
Como já havia dito, acompanhei os Combo Rangers somente em sua versão física. Mais especificamente, as fases formatinho da JBC e formato americano da Panini; esta, a última saga dos Guerreiros do Amor até este ano, e que por muito tempo pensei que seria a última definitivamente.
Desde a fase da JBC a série já possuía um universo bem desenvolvido e demonstrava bastante maturidade. Enquanto havia histórias simples que traziam humor e ação, como Num Piscar de Quatro Olhos, Meia-Noite é o nome da vingança e Combo Ranger por um dia, existiam também aquelas com tom mais sério, como O legado de um Supercampeão e Um mundo de Zeros e Uns.
A edição do Supercampeão, além de uma homenagem ao Super-homem e seus parceiros heroicos americanos, questiona algumas mudanças que ocorriam nas histórias destes, que tentavam alcançar um lado mais sombrio em suas tramas, o que as sobrecarregava de violência desnecessária e tirava o foco do ideal dos heróis – que os Combo sempre seguiram tão bem – de lutar para proteger algo, ao invés de lutar somente por lutar.
Devo dizer que sou um dos entusiastas
das tentativas de amadurecer as aventuras destes heróis. Digo, talvez para os
velhacos que os leem há mais de trinta anos, realmente não soe interessante
esse tipo de mudança; mas pra mim não havia nenhum sentido ver um mundo tão
colorido, ou melhor, tão preto e branco. E foi isso também que me cansou por um
tempo das HQs ocidentais e me fez correr para as orientais, onde os personagens
lutavam até a morte. Claro que a diferença nesse caso é que, por ser já parte
da cultura de quadrinhos deles, os orientais sabem lidar com histórias onde há
reais sacrifícios, principalmente se considerarmos que seus mangás chegam a um
fim. De qualquer forma, as tentativas desmedidas das editoras norte-americanas
de tomar novos rumos e causar reações destruíam a essência dos personagens de
maneira irreparável. E o engraçado disso tudo é que, enquanto esta edição dos
Combo Rangers questiona ou mesmo critica essa atitude, o próprio Yabu nunca se
impediu de seguir esse caminho. Com a diferença de que seu universo heroico
sempre foi maduro o suficiente pra lidar com estes temas mais sérios e não
fazê-lo de modo raso e forçado.
E é aqui que eu repito que o Yabu tem o melhor dos dois mundos.
Outra edição que destaco desta fase da JBC é a Mano ou Ultramano?, que levanta o tema da problemática de ser um super-herói, tema que veio a se tornar o principal na fase da Panini.
Sempre sem perder o fôlego, esta nova fase continuava com o universo interessante dos Combo, mas trazendo uma continuidade muito maior entre as revistas, ao invés de inserir problemas que se limitavam àquela edição e não trariam nenhuma consequência posterior. Aqui o tema sempre revisitado foi de como a vida dos seis garotos era afetada por sua condição de super-heróis, sendo isso quanto à escola, família ou os relacionamentos de amizade ou amor entre os seis. E, se é que preciso me repetir, tudo tratado de forma minuciosamente madura e interessante.
Meu texto todo aqui com certeza parece somente exaltações de um fanboy. A verdade é que nunca me vi como um fã de Combo Rangers, mas depois de ler a Graphic Novel que me fez escrever este texto, percebo que talvez eu seja.
E é aqui que eu repito que o Yabu tem o melhor dos dois mundos.
Outra edição que destaco desta fase da JBC é a Mano ou Ultramano?, que levanta o tema da problemática de ser um super-herói, tema que veio a se tornar o principal na fase da Panini.
Sempre sem perder o fôlego, esta nova fase continuava com o universo interessante dos Combo, mas trazendo uma continuidade muito maior entre as revistas, ao invés de inserir problemas que se limitavam àquela edição e não trariam nenhuma consequência posterior. Aqui o tema sempre revisitado foi de como a vida dos seis garotos era afetada por sua condição de super-heróis, sendo isso quanto à escola, família ou os relacionamentos de amizade ou amor entre os seis. E, se é que preciso me repetir, tudo tratado de forma minuciosamente madura e interessante.
Meu texto todo aqui com certeza parece somente exaltações de um fanboy. A verdade é que nunca me vi como um fã de Combo Rangers, mas depois de ler a Graphic Novel que me fez escrever este texto, percebo que talvez eu seja.
Combo
Rangers: Somos Heróis
Após dez anos sem publicar nada de sua principal
série, Fábio Yabu decidiu mexer novamente com ela, para a felicidade de todos
nós. Através do financiamento coletivo do Catarse, Yabu alcançou o capital
necessário para lançar três Graphic Novels dos Combro Rangers, uma por ano,
mais uma vez pela editora JBC.O Yabu tinha algumas opções do que fazer aqui. Ele podia continuar de onde parou, já que a série da Panini não teve uma conclusão, ou recomeçar do zero. Talvez três histórias isoladas sem nenhuma amarra direta com a última série. E ele acabou tomando uma decisão ainda melhor e juntou as opções numa coisa só.
Somos Heróis reconta a formação dos Combo Rangers, apresentando-os em um novo cenário, Cidade Nova, onde parte da população tem super poderes e os, de fato, super heróis já estão fora da ativa há algum tempo. Com a chegada de uma nova ameaça na forma de Satan Boss (quem sacou a referência sacou, o restante pode ir pro cantinho dos noobs), cinco crianças com diferentes virtudes são convocados pelo Poderoso Combo para usarem seus poderes e se tornarem os Combo Rangers, o esquadrão dos sonhos.
Inicialmente a revista soa como um dos
clássicos reboots que acontecem de quando em sempre, inclusive recentemente,
nas editoras norte-americanas Marvel e DC. E apesar disso, a trama não abandona
completamente o passado dos personagens, deixando no ar algumas dicas de que
talvez aquele universo seja revisitado de alguma forma. As referências ao
próprio universo dos Combo estão presentes, como personagens que outrora foram
vilões, aqui assumindo aparência e função diferentes, sendo reconhecidos
somente por leitores antigos. Ainda assim, o reconhecimento não se faz
necessário para entender a história, tornando a HQ completamente acessível a
leitores novos, uma escolha sábia de Yabu.
A trama se foca no que os Combo melhor sabem representar: o sentido de ser um herói, e quando isto é dádiva e quando é uma maldição. E faz isso muito melhor que vários dos ícones estrangeiros deste gênero. Pra quem sempre acompanhou o gênero, é certo que haverá identificação em todos os níveis.
A trama se foca no que os Combo melhor sabem representar: o sentido de ser um herói, e quando isto é dádiva e quando é uma maldição. E faz isso muito melhor que vários dos ícones estrangeiros deste gênero. Pra quem sempre acompanhou o gênero, é certo que haverá identificação em todos os níveis.
A arte merece também o máximo de elogios. Se em algumas fases anteriores ela já deixou a desejar – especificamente em parte da fase Panini – aqui Michel Borges a produz perfeitamente, desde a garantir ação e emoção, até aos artifícios cômicos visuais, tão comuns aos mangás. Todas as outras questões visuais, como arte-final e cores também estão impecáveis, tornando esta edição um deleite visual.
Acho, e espero, que eu nunca escreva um texto tão grande de novo. Mas Combo Rangers merece. Somos Heróis merece. Ainda que a qualidade técnica fora garantida também pela fama de Yabu que arrecadou tanto patrocínio dos leitores, e que poucos outros autores nacionais teriam a mesma chance, isso tudo foi alcançado inicialmente pela capacidade dele como quadrinhista, desde a época que o próprio tinha todo o trabalho artístico. Isso mostra que é possível sim trabalhar com o gênero de super-heróis no Brasil – coisa que muitos duvidam – de forma competente e com alta qualidade de roteiro.
Combo Rangers: Somos Heróis entra facilmente nos primeiros lugares do ranking de lançamentos nacionais de 2013, e se faz necessário para todos aqueles que leem quadrinhos, que apreciam trabalhos nacionais ou que simplesmente um dia sonharam em serem heróis.



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