Uma estratégia sempre presente em
qualquer mercado é a de aproveitar o sucesso de produto x e então criar alguns
vários produtos y que sigam o mesmo padrão para garantir uma grana certa.
Outra um pouco menos nobre é a de, maliciosamente, propagandear um produto baseado na fama de outro, tentando atrair os mesmos compradores, quando na realidade o produto propagandeado não tem realmente muita relação com o outro com a qual está sendo comparado.
Confuso? Ok, eu devia ter ido direto ao ponto.
.
Pronto.
Sacaram? Sou um grande piadista, não? Hein?
Outra um pouco menos nobre é a de, maliciosamente, propagandear um produto baseado na fama de outro, tentando atrair os mesmos compradores, quando na realidade o produto propagandeado não tem realmente muita relação com o outro com a qual está sendo comparado.
Confuso? Ok, eu devia ter ido direto ao ponto.
.
Pronto.
Sacaram? Sou um grande piadista, não? Hein?
Mas então, eu falava sobre propagandas. Certa vez, ainda em época do estouro de Crepúsculo, vi em uma livraria uma mesa com diversos livros desta série, acompanhados de... André Vianco. Pois é, obras como Os Sete e Sétimo estavam lá, fazendo companhia ao topete de Edward.
Tá, ambas as obras são sobre vampiros. Até certo ponto é válido. Mas se 95% dos que compraram alguma obra do Vianco por estar ao lado de Crepúsculo não se surpreenderam com o que encontraram, eu mudo meu nome pra Bella. Não resta dúvidas de que, se está sendo colocado lado a lado de Crepúsculo – uma história de amor entre o ser vampiro e o ser humano – a mensagem que isto passa é “venham, venham, leitores de Crepúsculo; conheçam esta outra obra vampiresca! Se gostaram dos livros da Meyer, certamente apreciarão os do Vianco!”.
Não que seja impossível gostar de ambos, mas creio que entenderam meu ponto.
“Entendi que você é um preconceituoso de bosta, Bruno. E daí?”
E daí que este tipo de propaganda acabou me pegando também. Felizmente – pensava eu - da forma inversa, fazendo com que eu me afastasse de uma obra por crer que ela tivesse alguma semelhança com Crepúsculo.
Se vale a pena deixar um adendo, digo somente que nada tenho diretamente contra Crepúsculo, somente não é meu tipo de leitura, certamente.
Prosseguindo, assim que houve o estouro de Jogos Vorazes, eu fui acometido de diversos preconceitos contra a obra baseados no que a internet me garantia de informações. De um lado eu via as adolescentes citarem o tal filme e dele somente exaltarem a beleza de Gale e Peeta, e de como Katniss tinha de se decidir entre um dos dois; de outro, o tumblr me sufocava com a adoração do fandom às incríveis habilidades com arco e flecha da dita protagonista. Até mesmo os profissionais *pausa para risadas* alardearam Jogos Vorazes como “o novo Crepúsculo”. Então peguei-me, erroneamente, julgando Jogos Vorazes como uma obra de fantasia sobre uma arqueira infalível que se via entre a decisão por dois galãs sem sal, açúcar ou qualquer tempero.
E no fim descobri que a obra na verdade é tudo que há de bom.
...
Ok, essa foi a pior aplicação de referência que já fiz na vida. De tão ruim, é possível que nem notem. Mas a deixemos aí de recordação. Talvez a vergonha evite que eu repita tal atrocidade.
Afinal, sobre Jogos Vorazes.
A verdade é que Jogos Vorazes é um ótimo livro. Collins consegue com maestria se aproveitar da limitação de um livro voltado ao público jovem para torná-lo simples e extremamente eficaz, ou seja, interessante, empolgante, emocionante e, porque não, crítico.
Katniss, longe de ser uma protagonista superficial ou simples, narra todo o livro, o que garante uma visão interessante dos acontecimentos e fornece uma saída prática para a autora na hora de mexer com as intenções dos coadjuvantes, nos deixando somente a par do que Katniss vê e interpreta. Dessa forma, o livro pouco se foca em lutas e ação, apesar dos Jogos, sendo muito mais a jornada da garota em busca de sobrevivência. A quantidade de ação presente no livro é perfeitamente medida para equilibrar-se com as outras partes, da sobrevivência na floresta e do desenvolvimento da protagonista.
A Katniss por sua vez é complexa mas interessante, o que garante a vontade de acompanhá-la até descobrirmos onde ela chegará, física e mentalmente. É clara sua evolução no decorrer da obra, a cada situação drástica que ela supera; e ao fim do livro, ainda temos uma adolescente sendo moldada por tudo que passou, pelo que ainda está passando e ela não sabe como lidar, e a expectativa e medo do que acontecerá no futuro breve. O livro realmente lhe faz sentir que se viu somente uma pontinha de tudo que Katniss tem para oferecer e evoluir como personagem, fazendo com que a vontade de ler os próximos livros aumente desesperadoramente.
Ainda que sofra aqui e ali de seus defeitos e, como eu gostaria de chamar, desnecessariedades, o saldo final é extremamente positivo, avaliando sua intenção e público-alvo.
Creio ser extremamente difícil que haja alguém que ainda não conhece a obra ao menos por sua adaptação para o cinema. Esquivei-me de tratar da trama muito mais por não achar necessário do quê pra evitar spoilers. A intenção do texto é demonstrar o quanto acho Jogos Vorazes legal, e talvez incentivar outros que tinham o mesmo preconceito que eu a lê-lo.
Agora resta ler o próximo livro, assistir ao próximo filme, e torcer para que o foco na distopia e crítica à sociedade – que suponho seja a temática maior das sequências – seja bem apresentado e desenvolvido, já que na primeira parte deixou a desejar.
Até lá, eu me ofereço como tributo à Jennifer Lawrence.
ME USA, JENN.
Nenhum comentário:
Postar um comentário