No meu primeiro ano na faculdade, lá em 2008, conheci através do saudoso
orkutão dos brother a série de tirinhas Puny Parker, que mostra uma visão do
que foi a infância do nosso herói favorito, o Homem-Aranha, de uma forma
simpática e centrada em suas experiências como petiz. A primeira historinha,
onde o pequeno Peter vê o grande amor de sua vida pela primeira vez, já me
conquistou e me manteve acompanhando as postagens religiosamente. Isto é, até
que as “responsabilidades” dos últimos anos da vida universitária me fizeram
esquecer completamente do blog onde eram publicadas.
Muita coisa aconteceu na minha vida de lá pra cá. E muito mais coisa
aconteceu na vida do também mineiro Vitor Cafaggi antes que suas obras
cruzassem novamente meu caminho. Para se ter uma ideia, o cara passou a
escrever tirinhas para o jornal O Globo, lançou uma publicação independente,
ganhou vários prêmios na área de quadrinhos, reinventou outro de meus
personagens favoritos – o Chico Bento – em um especial da Maurício de Sousa
Produções e, em parceria com sua irmã Lu Cafaggi, foi convidado para escrever e
desenhar uma aventura da Turma da Mônica sob sua ótica, resultando na
totalmente excelente Laços.
Pensando bem, nem tanto aconteceu na minha vida assim...
Enfim, Laços me fez procurar novamente pelos seus trabalhos, descobrir
Valente e me apaixonar pelas aventuras não tão extraordinárias do personagem
título.
Crítica:
Valente Para Sempre e Valente Para Todas
Quando disse que suas aventuras não eram tão extraordinárias não me
referia à qualidade, mas sim à maestria com que histórias tão comuns na vida de
nós seres humanos são retratadas em cada sequência de quadrinhos. Valente conta
a história de um simpático cãozinho em idade colegial com o qual todo menino e
toda menina podem se identificar.
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| Quem nunca? |
A trama se inicia no mesmo ponto onde Puny Parker começa, com uma paixão
à primeira vista. E vai muito além! No primeiro volume, Valente Para
Sempre, é introduzida toda a turma enquanto as desventuras amorosas do
personagem principal e sua paixão platônica, a Dama, se desenrolam.
Acompanhamos todos os pontos do romance por diversos ângulos diferentes e isso
dá uma sensação de pertencimento muito grande ao universo da publicação. Cada
dia que se passa dentro da história nos traz mais para perto do Valente e
aumenta a vontade de tentar, de alguma forma, se fazer presente para ser mais
um ombro e ouvido amigo.
Isso tudo é possível, pois, como diz a própria sinopse, Valente não é a
típica história de amor que vemos nos filmes, novelas e seriados, mas sim uma
história de como todas as pessoas que passam em nossas vidas influenciam em
quem somos e quem seremos. O cãozinho Valente é, acima de tudo, humano e passa
pelas mesmas experiências que cada um de nós (ou aquele nosso amigo apaixonado)
já passou ou passará quando se trata do maior mistério do universo: o amor.
| Aposto que o menino da escola não tem cabelo comprido. |
No segundo volume, Valente Para Todas, conhecemos um pouco
mais das individualidades e passado dos personagens, bem como acompanhamos um
dilema ainda maior, quando Valente de repente se encontra como a pedra
fundamental (Adoro usar essa metáfora, me deixem!) de um triângulo amoroso.
Após travar diversas batalhas com seu coração, Valente sai vitorioso e fica
feliz. Mas não por muito tempo, já que a história termina com uma grande
interrogação, deixando a certeza que vem muito mais por aí.
Usando de um roteiro pautado em sensibilidade e recheado de referências
divertidas, Valente tem aquele gostinho saudoso de infância que, misturado com
o tom de descoberta da maturidade e sua já demonstrada capacidade de
reinvenção, põe a obra de Vítor Cafaggi lado a lado com a de grandes cartunistas
de tirinhas, como Bill Watterson, Dik Browne e Jim Davis.
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| "ADRIAN!!!" |
Não me estendi muito detalhando a trama por dois motivos: ela é
disponibilizada gratuitamente no blog do Vitor para quem quiser ler e na versão
impressa, para quem quiser comprar, por um preço muito acessível. Eu aguardei o
fim do segundo livro no blog para comprar as versões impressas, que se diferem
por não serem coloridas, para ler tudo de uma vez só. E foi o que aconteceu: em
uma tarde li os dois volumes e já aguardo ansiosamente o terceiro. Que venha
Valente Por Opção!


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