quarta-feira, 20 de novembro de 2013

7 Filmes de Apocalipse Reescritos Como Filmes de Pós-Feriado

Ninguém gosta de feriado na quarta-feira. Se alguém gostar está errado. O feriado na quarta-feira é como um final de semana no meio da jornada de trabalho, o que seria bom se não fosse um final de semana em que você dorme no sábado e acorda na segunda-feira. 
Escrevem-se tantas histórias sobre mundos pós-apocalípticos, verdadeiros épicos (às vezes nem tanto) sobre adaptação, sobrevivência e velhas novidades, mas ninguém escreve sobre o caos que é acordar em um mundo pós-feriado e descobrir (ou lembrar) que dois dias inteiros de trabalho ainda estão por ser vividos antes que seu corpo volte ao estado letárgico de descanso e paz de espírito que o final feliz chamado final de semana lhe reserva.
Como não sou nenhum roteirista de cinema, tomei a liberdade de reescrever 7 roteiros consagrados (ou não) para melhor encaixar essa nossa realidade – corrida, dramática, por vezes sofrida e sinuosa, de lágrimas e suor, vitórias e sorrisos, tudo ou nada disso – de proletariado sem feriado prolongado.

#7 – I’m Working Dead (Trabalhando Mesmo Morto, no Brasil)
Sinopse: O chefe de departamento Ricardo Gimenez acorda em seu apartamento na quinta-feira sem lembranças de como foi parar ali após o happy hour de terça-feira ou de como o local ficou tão bagunçado. No trabalho se depara com hordas de olheiras, mau hálito, cabelos despenteados e sonâmbulos tentando fugir da mira impiedosa do patrão durante o expediente.

#6 – Val-E

Sinopse: Após diversão inconsequente e sem limites no feriado de um dia, grupo de trabalhadores acaba com os recursos financeiros do grupo e cabe ao pequeno valente Roberval amolecer o coração do chefe e conseguir o famigerado adiantamento do mês.

#5 – Eu Vou À Venda

Sinopse: Um dia depois da visita dos parentes do interior acabar com seu estoque de comida, Will Smith tem que sobreviver a uma jornada de trabalho e ainda enfrentar hordas de ônibus e metrôs lotados munidos de sacolas de plástico com compras para garantir sua sobrevivência e de seu cachorro.

#4 – O Dia Útil Depois do Feriado

Sinopse: Dennis Quaid vive o professor do estado que se vê correndo contra o tempo para encontrar seu filho, que voltou da praia direto para o trabalho, antes do expediente, a fim de lhe entregar o cartão de ponto que esqueceu em casa.

#3 – 20:12

Sinopse: O mundo inteiro está desabando porque o chefe descobriu que os relatórios de terça-feira não foram preenchidos corretamente e não existe banco de horas no mundo capaz de restaurar a paz antes que o dia termine.

#2 – O Vendedor do Futuro

Sinopse: Totalmente perdido no escritório, Arnold Schwarzenegger tenta se lembrar de onde deixou seu trabalho na terça-feira, que parece ter sido em outra vida, sem que seu chefe perceba, mas não sabe que este secretamente pediu para Wesley Snipes, no papel de ex-vendedor líder, sabotar seus esforços para ter um bode-expiatório na empresa.

#1 – Paperworld

Sinopse: Nesse universo pós-feriado o mundo como conhecemos não existe mais e Kevin Costner lidera um grupo de funcionários navegando em pilhas sem fim de papel em busca de contato com suas mesas, seus itens pessoais ou seja lá o que for que estava lá antes do trabalho acumular.

Como a vida real é mais assustadora do que qualquer filme, o pesadelo da segunda-feira, tal qual Freddy Krueger e Jason Vorhees, volta na forma de quinta-feira, trazendo consigo todo mau humor e sucessão de pepinos do mundo. Portanto, seja um feliz proprietário do feriado no meio da semana, mas esteja sempre preparado para suas implicações apocalípticas.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Valente Para Sempre e Valente Para Todas

No meu primeiro ano na faculdade, lá em 2008, conheci através do saudoso orkutão dos brother a série de tirinhas Puny Parker, que mostra uma visão do que foi a infância do nosso herói favorito, o Homem-Aranha, de uma forma simpática e centrada em suas experiências como petiz. A primeira historinha, onde o pequeno Peter vê o grande amor de sua vida pela primeira vez, já me conquistou e me manteve acompanhando as postagens religiosamente. Isto é, até que as “responsabilidades” dos últimos anos da vida universitária me fizeram esquecer completamente do blog onde eram publicadas.
Muita coisa aconteceu na minha vida de lá pra cá. E muito mais coisa aconteceu na vida do também mineiro Vitor Cafaggi antes que suas obras cruzassem novamente meu caminho. Para se ter uma ideia, o cara passou a escrever tirinhas para o jornal O Globo, lançou uma publicação independente, ganhou vários prêmios na área de quadrinhos, reinventou outro de meus personagens favoritos – o Chico Bento – em um especial da Maurício de Sousa Produções e, em parceria com sua irmã Lu Cafaggi, foi convidado para escrever e desenhar uma aventura da Turma da Mônica sob sua ótica, resultando na totalmente excelente Laços.

Pensando bem, nem tanto aconteceu na minha vida assim...

Enfim, Laços me fez procurar novamente pelos seus trabalhos, descobrir Valente e me apaixonar pelas aventuras não tão extraordinárias do personagem título.

Crítica:
Valente Para Sempre e Valente Para Todas
Quando disse que suas aventuras não eram tão extraordinárias não me referia à qualidade, mas sim à maestria com que histórias tão comuns na vida de nós seres humanos são retratadas em cada sequência de quadrinhos. Valente conta a história de um simpático cãozinho em idade colegial com o qual todo menino e toda menina podem se identificar.
Quem nunca?
A trama se inicia no mesmo ponto onde Puny Parker começa, com uma paixão à primeira vista. E vai muito além! No primeiro volume, Valente Para Sempre, é introduzida toda a turma enquanto as desventuras amorosas do personagem principal e sua paixão platônica, a Dama, se desenrolam. Acompanhamos todos os pontos do romance por diversos ângulos diferentes e isso dá uma sensação de pertencimento muito grande ao universo da publicação. Cada dia que se passa dentro da história nos traz mais para perto do Valente e aumenta a vontade de tentar, de alguma forma, se fazer presente para ser mais um ombro e ouvido amigo.
Isso tudo é possível, pois, como diz a própria sinopse, Valente não é a típica história de amor que vemos nos filmes, novelas e seriados, mas sim uma história de como todas as pessoas que passam em nossas vidas influenciam em quem somos e quem seremos. O cãozinho Valente é, acima de tudo, humano e passa pelas mesmas experiências que cada um de nós (ou aquele nosso amigo apaixonado) já passou ou passará quando se trata do maior mistério do universo: o amor.
Aposto que o menino da escola não tem cabelo comprido.
No segundo volume, Valente Para Todas, conhecemos um pouco mais das individualidades e passado dos personagens, bem como acompanhamos um dilema ainda maior, quando Valente de repente se encontra como a pedra fundamental (Adoro usar essa metáfora, me deixem!) de um triângulo amoroso. Após travar diversas batalhas com seu coração, Valente sai vitorioso e fica feliz. Mas não por muito tempo, já que a história termina com uma grande interrogação, deixando a certeza que vem muito mais por aí.
Usando de um roteiro pautado em sensibilidade e recheado de referências divertidas, Valente tem aquele gostinho saudoso de infância que, misturado com o tom de descoberta da maturidade e sua já demonstrada capacidade de reinvenção, põe a obra de Vítor Cafaggi lado a lado com a de grandes cartunistas de tirinhas, como Bill Watterson, Dik Browne e Jim Davis.
"ADRIAN!!!"
Não me estendi muito detalhando a trama por dois motivos: ela é disponibilizada gratuitamente no blog do Vitor para quem quiser ler e na versão impressa, para quem quiser comprar, por um preço muito acessível. Eu aguardei o fim do segundo livro no blog para comprar as versões impressas, que se diferem por não serem coloridas, para ler tudo de uma vez só. E foi o que aconteceu: em uma tarde li os dois volumes e já aguardo ansiosamente o terceiro. Que venha Valente Por Opção!

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Sobre Jogos Vorazes - Parte 1


Uma estratégia sempre presente em qualquer mercado é a de aproveitar o sucesso de produto x e então criar alguns vários produtos y que sigam o mesmo padrão para garantir uma grana certa.

Outra um pouco menos nobre é a de, maliciosamente, propagandear um produto baseado na fama de outro, tentando atrair os mesmos compradores, quando na realidade o produto propagandeado não tem realmente muita relação com o outro com a qual está sendo comparado.

Confuso? Ok, eu devia ter ido direto ao ponto.

.

Pronto.

Sacaram? Sou um grande piadista, não? Hein?

Mas então, eu falava sobre propagandas. Certa vez, ainda em época do estouro de Crepúsculo, vi em uma livraria uma mesa com diversos livros desta série, acompanhados de... André Vianco. Pois é, obras como Os Sete e Sétimo estavam lá, fazendo companhia ao topete de Edward.

Tá, ambas as obras são sobre vampiros. Até certo ponto é válido. Mas se 95% dos que compraram alguma obra do Vianco por estar ao lado de Crepúsculo não se surpreenderam com o que encontraram, eu mudo meu nome pra Bella. Não resta dúvidas de que, se está sendo colocado lado a lado de Crepúsculo – uma história de amor entre o ser vampiro e o ser humano – a mensagem que isto passa é “venham, venham, leitores de Crepúsculo; conheçam esta outra obra vampiresca! Se gostaram dos livros da Meyer, certamente apreciarão os do Vianco!”.

Não que seja impossível gostar de ambos, mas creio que entenderam meu ponto.

“Entendi que você é um preconceituoso de bosta, Bruno. E daí?”

E daí que este tipo de propaganda acabou me pegando também. Felizmente – pensava eu - da forma inversa, fazendo com que eu me afastasse de uma obra por crer que ela tivesse alguma semelhança com Crepúsculo.

Se vale a pena deixar um adendo, digo somente que nada tenho diretamente contra Crepúsculo, somente não é meu tipo de leitura, certamente.

Prosseguindo, assim que houve o estouro de Jogos Vorazes, eu fui acometido de diversos preconceitos contra a obra baseados no que a internet me garantia de informações. De um lado eu via as adolescentes citarem o tal filme e dele somente exaltarem a beleza de Gale e Peeta, e de como Katniss tinha de se decidir entre um dos dois; de outro, o tumblr me sufocava com a adoração do fandom às incríveis habilidades com arco e flecha da dita protagonista. Até mesmo os profissionais *pausa para risadas* alardearam Jogos Vorazes como “o novo Crepúsculo”. Então peguei-me, erroneamente, julgando Jogos Vorazes como uma obra de fantasia sobre uma arqueira infalível que se via entre a decisão por dois galãs sem sal, açúcar ou qualquer tempero.

E no fim descobri que a obra na verdade é tudo que há de bom.


...


Ok, essa foi a pior aplicação de referência que já fiz na vida. De tão ruim, é possível que nem notem. Mas a deixemos aí de recordação. Talvez a vergonha evite que eu repita tal atrocidade.

 

Afinal, sobre Jogos Vorazes.
A verdade é que Jogos Vorazes é um ótimo livro. Collins consegue com maestria se aproveitar da limitação de um livro voltado ao público jovem para torná-lo simples e extremamente eficaz, ou seja, interessante, empolgante, emocionante e, porque não, crítico.

Katniss, longe de ser uma protagonista superficial ou simples, narra todo o livro, o que garante uma visão interessante dos acontecimentos e fornece uma saída prática para a autora na hora de mexer com as intenções dos coadjuvantes, nos deixando somente a par do que Katniss vê e interpreta. Dessa forma, o livro pouco se foca em lutas e ação, apesar dos Jogos, sendo muito mais a jornada da garota em busca de sobrevivência. A quantidade de ação presente no livro é perfeitamente medida para equilibrar-se com as outras partes, da sobrevivência na floresta e do desenvolvimento da protagonista.

A Katniss por sua vez é complexa mas interessante, o que garante a vontade de acompanhá-la até descobrirmos onde ela chegará, física e mentalmente. É clara sua evolução no decorrer da obra, a cada situação drástica que ela supera; e ao fim do livro, ainda temos uma adolescente sendo moldada por tudo que passou, pelo que ainda está passando e ela não sabe como lidar, e a expectativa e medo do que acontecerá no futuro breve. O livro realmente lhe faz sentir que se viu somente uma pontinha de tudo que Katniss tem para oferecer e evoluir como personagem, fazendo com que a vontade de ler os próximos livros aumente desesperadoramente.

Ainda que sofra aqui e ali de seus defeitos e, como eu gostaria de chamar, desnecessariedades, o saldo final é extremamente positivo, avaliando sua intenção e público-alvo.

Creio ser extremamente difícil que haja alguém que ainda não conhece a obra ao menos por sua adaptação para o cinema. Esquivei-me de tratar da trama muito mais por não achar necessário do quê pra evitar spoilers. A intenção do texto é demonstrar o quanto acho Jogos Vorazes legal, e talvez incentivar outros que tinham o mesmo preconceito que eu a lê-lo.

Agora resta ler o próximo livro, assistir ao próximo filme, e torcer para que o foco na distopia e crítica à sociedade – que suponho seja a temática maior das sequências – seja bem apresentado e desenvolvido, já que na primeira parte deixou a desejar.

Até lá, eu me ofereço como tributo à Jennifer Lawrence.

ME USA, JENN.

domingo, 3 de novembro de 2013

Combo Rangers: Somos Heróis

Todos aqueles que têm na leitura de quadrinhos de super-heróis um costume, já desejou ter também alguns poderes. Talvez as pessoas... comuns, por falta de um termo apropriado, ao assistirem algum filme do Super-homem, ou mesmo algo como Vingadores, já deve ter se imaginado com a capacidade de voar, ter uma armadura igual a do Homem-Ferro ou madeixas iguais as do Thor. Ou ter a Natalie Portman.

É, na conta final, Thor é o que tá melhor desses heróis todos.

De qualquer forma, ansiar por capacidades além das suas é algo comum, ainda mais quando elas o tornariam tão superior aos outros; e isso vale para capacidades físicas, especiais ou mentais. Usar essas capacidades para lutar pelos fracos e oprimidos talvez seja um desejo um pouco menor no coração das pessoas, mas deve existir aqui e ali. E é isso que Combo Rangers sempre foi, uma história de jovens que tem esse desejo de usar seus poderes para lutar pelo amor e pelo sorriso das crianças.

A série percorreu um longo caminho até aqui, tendo começado na internet, há mais de uma década, e posteriormente indo para revistas. Eu, particularmente, acompanhei somente da fase em quadrinhos físicos; e lá a série já mostrava bastante maturidade e consistência. Ficava óbvio em cada história o amor de seu autor, Fábio Yabu, pelos super-heróis e suas fantásticas aventuras em quadros. Amor este que ele aplicava completamente em Combo Rangers, tornando-a a melhor representação de super-heróis brasileiros.

Quadrinhos nacionais sempre sofreram para conseguir seu lugar. Desde os tempos de meu pai – que até hoje tem como hobby produzir quadrinhos – quando havia um grande foco em criar os super-heróis brasileiros; até os momentos mais recentes, onde minha geração sofreu uma influência extrema dos quadrinhos e animações japonesas e começou a produzir conteúdo do mesmo tipo.

O Yabu, por outro lado, nunca se prendeu a nenhum dos lados, e Combo Rangers é uma grande amálgama desses dois mundos. Enquanto a ideia geral do grupo de heróis é obviamente baseada nos grupos de super sentai japoneses (ou seja, Power Rangers e afins, como o próprio título da série do Yabu deixa claro), a ideologia sempre foi muito mais voltada para o que os escoteiros super poderosos ocidentais pregam. Essa combinação, temperada sempre com influências e referências dos dois lados, tornou Combo Rangers algo quase único e surpreendentemente interessante.


Combo Rangers até aqui
Como já havia dito, acompanhei os Combo Rangers somente em sua versão física. Mais especificamente, as fases formatinho da JBC e formato americano da Panini; esta, a última saga dos Guerreiros do Amor até este ano, e que por muito tempo pensei que seria a última definitivamente.

Desde a fase da JBC a série já possuía um universo bem desenvolvido e demonstrava bastante maturidade. Enquanto havia histórias simples que traziam humor e ação, como Num Piscar de Quatro Olhos, Meia-Noite é o nome da vingança e Combo Ranger por um dia, existiam também aquelas com tom mais sério, como O legado de um Supercampeão e Um mundo de Zeros e Uns.

A edição do Supercampeão, além de uma homenagem ao Super-homem e seus parceiros heroicos americanos, questiona algumas mudanças que ocorriam nas histórias destes, que tentavam alcançar um lado mais sombrio em suas tramas, o que as sobrecarregava de violência desnecessária e tirava o foco do ideal dos heróis – que os Combo sempre seguiram tão bem – de lutar para proteger algo, ao invés de lutar somente por lutar.

 
Devo dizer que sou um dos entusiastas das tentativas de amadurecer as aventuras destes heróis. Digo, talvez para os velhacos que os leem há mais de trinta anos, realmente não soe interessante esse tipo de mudança; mas pra mim não havia nenhum sentido ver um mundo tão colorido, ou melhor, tão preto e branco. E foi isso também que me cansou por um tempo das HQs ocidentais e me fez correr para as orientais, onde os personagens lutavam até a morte. Claro que a diferença nesse caso é que, por ser já parte da cultura de quadrinhos deles, os orientais sabem lidar com histórias onde há reais sacrifícios, principalmente se considerarmos que seus mangás chegam a um fim. De qualquer forma, as tentativas desmedidas das editoras norte-americanas de tomar novos rumos e causar reações destruíam a essência dos personagens de maneira irreparável. E o engraçado disso tudo é que, enquanto esta edição dos Combo Rangers questiona ou mesmo critica essa atitude, o próprio Yabu nunca se impediu de seguir esse caminho. Com a diferença de que seu universo heroico sempre foi maduro o suficiente pra lidar com estes temas mais sérios e não fazê-lo de modo raso e forçado.

E é aqui que eu repito que o Yabu tem o melhor dos dois mundos.

Outra edição que destaco desta fase da JBC é a Mano ou Ultramano?, que levanta o tema da problemática de ser um super-herói, tema que veio a se tornar o principal na fase da Panini.

Sempre sem perder o fôlego, esta nova fase continuava com o universo interessante dos Combo, mas trazendo uma continuidade muito maior entre as revistas, ao invés de inserir problemas que se limitavam àquela edição e não trariam nenhuma consequência posterior. Aqui o tema sempre revisitado foi de como a vida dos seis garotos era afetada por sua condição de super-heróis, sendo isso quanto à escola, família ou os relacionamentos de amizade ou amor entre os seis. E, se é que preciso me repetir, tudo tratado de forma minuciosamente madura e interessante.


Meu texto todo aqui com certeza parece somente exaltações de um fanboy. A verdade é que nunca me vi como um fã de Combo Rangers, mas depois de ler a Graphic Novel que me fez escrever este texto, percebo que talvez eu seja.

Combo Rangers: Somos Heróis
Após dez anos sem publicar nada de sua principal série, Fábio Yabu decidiu mexer novamente com ela, para a felicidade de todos nós. Através do financiamento coletivo do Catarse, Yabu alcançou o capital necessário para lançar três Graphic Novels dos Combro Rangers, uma por ano, mais uma vez pela editora JBC.

O Yabu tinha algumas opções do que fazer aqui. Ele podia continuar de onde parou, já que a série da Panini não teve uma conclusão, ou recomeçar do zero. Talvez três histórias isoladas sem nenhuma amarra direta com a última série. E ele acabou tomando uma decisão ainda melhor e juntou as opções numa coisa só.

Somos Heróis reconta a formação dos Combo Rangers, apresentando-os em um novo cenário, Cidade Nova, onde parte da população tem super poderes e os, de fato, super heróis já estão fora da ativa há algum tempo. Com a chegada de uma nova ameaça na forma de Satan Boss (quem sacou a referência sacou, o restante pode ir pro cantinho dos noobs), cinco crianças com diferentes virtudes são convocados pelo Poderoso Combo para usarem seus poderes e se tornarem os Combo Rangers, o esquadrão dos sonhos.



Inicialmente a revista soa como um dos clássicos reboots que acontecem de quando em sempre, inclusive recentemente, nas editoras norte-americanas Marvel e DC. E apesar disso, a trama não abandona completamente o passado dos personagens, deixando no ar algumas dicas de que talvez aquele universo seja revisitado de alguma forma. As referências ao próprio universo dos Combo estão presentes, como personagens que outrora foram vilões, aqui assumindo aparência e função diferentes, sendo reconhecidos somente por leitores antigos. Ainda assim, o reconhecimento não se faz necessário para entender a história, tornando a HQ completamente acessível a leitores novos, uma escolha sábia de Yabu.

A trama se foca no que os Combo melhor sabem representar: o sentido de ser um herói, e quando isto é dádiva e quando é uma maldição. E faz isso muito melhor que vários dos ícones estrangeiros deste gênero. Pra quem sempre acompanhou o gênero, é certo que haverá identificação em todos os níveis.

A arte merece também o máximo de elogios. Se em algumas fases anteriores ela já deixou a desejar – especificamente em parte da fase Panini – aqui Michel Borges a produz perfeitamente, desde a garantir ação e emoção, até aos artifícios cômicos visuais, tão comuns aos mangás. Todas as outras questões visuais, como arte-final e cores também estão impecáveis, tornando esta edição um deleite visual.


Acho, e espero, que eu nunca escreva um texto tão grande de novo. Mas Combo Rangers merece. Somos Heróis merece. Ainda que a qualidade técnica fora garantida também pela fama de Yabu que arrecadou tanto patrocínio dos leitores, e que poucos outros autores nacionais teriam a mesma chance, isso tudo foi alcançado inicialmente pela capacidade dele como quadrinhista, desde a época que o próprio tinha todo o trabalho artístico. Isso mostra que é possível sim trabalhar com o gênero de super-heróis no Brasil – coisa que muitos duvidam – de forma competente e com alta qualidade de roteiro.

Combo Rangers: Somos Heróis entra facilmente nos primeiros lugares do ranking de lançamentos nacionais de 2013, e se faz necessário para todos aqueles que leem quadrinhos, que apreciam trabalhos nacionais ou que simplesmente um dia sonharam em serem heróis.