Porque estou falando com os leitores se não posso ouvi-los responder?
Não sei, minha mãe nunca me deixou ir no psicólogo.
Mas loucura mesmo é não assistir Em Chamas! (curtiram o gancho clichê?)
Então, já deve ter ficado claro que eu não sou um grande resenhista (resenhador?) de filmes. Ou de livros. Ou de qualquer coisa. Mas eu tenho sorte que o Adam é maluco o suficiente pra fazer parceria comigo, então trouxe a vocês mais um texto no mesmo nível do primeiro desta série, com comentários sobre porque você deveria ler/assistir tal coisa, ao invés de simplesmente escrever uma crítica séria sobre o produto em questão. Profissionalismo tá tão grande que deu a volta e tá lá no chão.
Voltemos ao primeiro filme, Jogos Vorazes. Na minha visão, existia uma grande dificuldade em adaptá-lo para cinema, pois o livro nos é narrado pela protagonista, que paralelamente a isto costuma não falar quase nada e passa boa parte da aventura sozinha. Assim, o que temos no filme é a Jen (somos íntimos, me deixa) caladinha sendo somente linda e atuando o quanto pode para expressar o que sente, precisa, pensa, acha, observa e todos os eteceteras afins. E, como deve ser óbvio, ela o faz muito bem. Infelizmente, um fator importantíssimo do livro é como a Katniss está presa à necessidade de fingir ser o que não é, especialmente ao lado do Peeta. E na obra escrita temos todo este conflito desenvolvido na narração da personagem, que traz seus pensamentos. No filme é exigir demais que a Jen consiga passar tanta coisa somente com seu rosto moldado divinamente.
Pode ser exigência febril de quem leu o livro primeiro e então espera coisas X e Y da adaptação cinematográfica, mas mesmo eu conhecendo tudo que a protagonista pensava, o filme quase me fez ficar em dúvida se nele ela realmente estava fingindo qualquer coisa ou se realmente estava embasbacada pelo rapazote anão Peeta.
A sequência, então, se salva desses problemas ao termos não só uma Katniss um pouco mais solta - verbal e fisicamente - pela proximidade que criou com vários dos personagens, como a participação de muitos novatos à trama, que trazem a dinâmica em grupo e, felizmente, tiram do longa a necessidade de se apoiar somente na Jen e sua magistral perfeição.
Eu sei que é clichê amá-la e idolatrá-la, mas é mais forte que eu.
O único grande problema do primeiro filme tendo sido abandonado, temos em Em Chamas uma jornada bastante divertida. O filme sabe muito bem se aproveitar do necessário em termos de plot em um espaço de tempo curto e suficiente, podendo se esbaldar daí em diante na ação dos... jogos. Sim, é bizarro que o segundo filme também possua os Jogos, dado à trama do primeiro, mas vou me estender nesse tópico quando for resenhar o livro (já pode chorar).
E digo espaço curto pois se no primeiro livro leva quase metade deste para que comecem os Jogos, no segundo leva-se mais da metade para que eles se iniciem. Então dá pra se ter ideia de como o foco não está neles, e sim no que acontece ao redor.
No mais, o filme está deveras bonito de se assistir, as cenas de ação empolgam bastante, as lutas possuem coreografias bonitas, os efeitos são satisfatórios e todas as atuações dos personagens de destaque são boas. Um pouco extravagantes, sim, pois à primeira vista os personagens parecem um tanto quanto apoiados demais em seus estereótipos, mas não chega a ser uma falha dos atores. O destaque mais uma vez fica com Stanley Tucci, no papel de Caesar Flickerman.
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| Se o mundo for justo, um dia eu possuirei tanto garbo e elegância assim. |
Ainda que não sendo nenhum grande destaque para o ano todo, Em Chamas cumpre bem seu papel de meio de trilogia: desenvolve o necessário pro plot, entrega bem as reviravoltas e se conclui da melhor forma possível para aumentar a expectativa e fazê-lo sair do cinema desejando que a sequência tivesse sua estréia no dia seguinte. Pra quem não se animou muito com o primeiro filme da série - algo bastante compreensível - ainda existe uma chance de ser conquistado com este.
Agora resta-me ler o segundo e terceiro livros (coisa que vocês deveriam fazer também) e esperar que o último filme faça jus ao seu antecessor e a esta série divertida e interessante de se acompanhar.
Aquele abraço, perdoem-me o atraso (qual sentido de tentar motivar as pessoas a assistirem o filme depois que ele sai dos cinemas?) e não se esqueçam de rezar pra papai do céu me dar a Jen de presente. Amém!




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