quarta-feira, 20 de novembro de 2013

7 Filmes de Apocalipse Reescritos Como Filmes de Pós-Feriado

Ninguém gosta de feriado na quarta-feira. Se alguém gostar está errado. O feriado na quarta-feira é como um final de semana no meio da jornada de trabalho, o que seria bom se não fosse um final de semana em que você dorme no sábado e acorda na segunda-feira. 
Escrevem-se tantas histórias sobre mundos pós-apocalípticos, verdadeiros épicos (às vezes nem tanto) sobre adaptação, sobrevivência e velhas novidades, mas ninguém escreve sobre o caos que é acordar em um mundo pós-feriado e descobrir (ou lembrar) que dois dias inteiros de trabalho ainda estão por ser vividos antes que seu corpo volte ao estado letárgico de descanso e paz de espírito que o final feliz chamado final de semana lhe reserva.
Como não sou nenhum roteirista de cinema, tomei a liberdade de reescrever 7 roteiros consagrados (ou não) para melhor encaixar essa nossa realidade – corrida, dramática, por vezes sofrida e sinuosa, de lágrimas e suor, vitórias e sorrisos, tudo ou nada disso – de proletariado sem feriado prolongado.

#7 – I’m Working Dead (Trabalhando Mesmo Morto, no Brasil)
Sinopse: O chefe de departamento Ricardo Gimenez acorda em seu apartamento na quinta-feira sem lembranças de como foi parar ali após o happy hour de terça-feira ou de como o local ficou tão bagunçado. No trabalho se depara com hordas de olheiras, mau hálito, cabelos despenteados e sonâmbulos tentando fugir da mira impiedosa do patrão durante o expediente.

#6 – Val-E

Sinopse: Após diversão inconsequente e sem limites no feriado de um dia, grupo de trabalhadores acaba com os recursos financeiros do grupo e cabe ao pequeno valente Roberval amolecer o coração do chefe e conseguir o famigerado adiantamento do mês.

#5 – Eu Vou À Venda

Sinopse: Um dia depois da visita dos parentes do interior acabar com seu estoque de comida, Will Smith tem que sobreviver a uma jornada de trabalho e ainda enfrentar hordas de ônibus e metrôs lotados munidos de sacolas de plástico com compras para garantir sua sobrevivência e de seu cachorro.

#4 – O Dia Útil Depois do Feriado

Sinopse: Dennis Quaid vive o professor do estado que se vê correndo contra o tempo para encontrar seu filho, que voltou da praia direto para o trabalho, antes do expediente, a fim de lhe entregar o cartão de ponto que esqueceu em casa.

#3 – 20:12

Sinopse: O mundo inteiro está desabando porque o chefe descobriu que os relatórios de terça-feira não foram preenchidos corretamente e não existe banco de horas no mundo capaz de restaurar a paz antes que o dia termine.

#2 – O Vendedor do Futuro

Sinopse: Totalmente perdido no escritório, Arnold Schwarzenegger tenta se lembrar de onde deixou seu trabalho na terça-feira, que parece ter sido em outra vida, sem que seu chefe perceba, mas não sabe que este secretamente pediu para Wesley Snipes, no papel de ex-vendedor líder, sabotar seus esforços para ter um bode-expiatório na empresa.

#1 – Paperworld

Sinopse: Nesse universo pós-feriado o mundo como conhecemos não existe mais e Kevin Costner lidera um grupo de funcionários navegando em pilhas sem fim de papel em busca de contato com suas mesas, seus itens pessoais ou seja lá o que for que estava lá antes do trabalho acumular.

Como a vida real é mais assustadora do que qualquer filme, o pesadelo da segunda-feira, tal qual Freddy Krueger e Jason Vorhees, volta na forma de quinta-feira, trazendo consigo todo mau humor e sucessão de pepinos do mundo. Portanto, seja um feliz proprietário do feriado no meio da semana, mas esteja sempre preparado para suas implicações apocalípticas.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Valente Para Sempre e Valente Para Todas

No meu primeiro ano na faculdade, lá em 2008, conheci através do saudoso orkutão dos brother a série de tirinhas Puny Parker, que mostra uma visão do que foi a infância do nosso herói favorito, o Homem-Aranha, de uma forma simpática e centrada em suas experiências como petiz. A primeira historinha, onde o pequeno Peter vê o grande amor de sua vida pela primeira vez, já me conquistou e me manteve acompanhando as postagens religiosamente. Isto é, até que as “responsabilidades” dos últimos anos da vida universitária me fizeram esquecer completamente do blog onde eram publicadas.
Muita coisa aconteceu na minha vida de lá pra cá. E muito mais coisa aconteceu na vida do também mineiro Vitor Cafaggi antes que suas obras cruzassem novamente meu caminho. Para se ter uma ideia, o cara passou a escrever tirinhas para o jornal O Globo, lançou uma publicação independente, ganhou vários prêmios na área de quadrinhos, reinventou outro de meus personagens favoritos – o Chico Bento – em um especial da Maurício de Sousa Produções e, em parceria com sua irmã Lu Cafaggi, foi convidado para escrever e desenhar uma aventura da Turma da Mônica sob sua ótica, resultando na totalmente excelente Laços.

Pensando bem, nem tanto aconteceu na minha vida assim...

Enfim, Laços me fez procurar novamente pelos seus trabalhos, descobrir Valente e me apaixonar pelas aventuras não tão extraordinárias do personagem título.

Crítica:
Valente Para Sempre e Valente Para Todas
Quando disse que suas aventuras não eram tão extraordinárias não me referia à qualidade, mas sim à maestria com que histórias tão comuns na vida de nós seres humanos são retratadas em cada sequência de quadrinhos. Valente conta a história de um simpático cãozinho em idade colegial com o qual todo menino e toda menina podem se identificar.
Quem nunca?
A trama se inicia no mesmo ponto onde Puny Parker começa, com uma paixão à primeira vista. E vai muito além! No primeiro volume, Valente Para Sempre, é introduzida toda a turma enquanto as desventuras amorosas do personagem principal e sua paixão platônica, a Dama, se desenrolam. Acompanhamos todos os pontos do romance por diversos ângulos diferentes e isso dá uma sensação de pertencimento muito grande ao universo da publicação. Cada dia que se passa dentro da história nos traz mais para perto do Valente e aumenta a vontade de tentar, de alguma forma, se fazer presente para ser mais um ombro e ouvido amigo.
Isso tudo é possível, pois, como diz a própria sinopse, Valente não é a típica história de amor que vemos nos filmes, novelas e seriados, mas sim uma história de como todas as pessoas que passam em nossas vidas influenciam em quem somos e quem seremos. O cãozinho Valente é, acima de tudo, humano e passa pelas mesmas experiências que cada um de nós (ou aquele nosso amigo apaixonado) já passou ou passará quando se trata do maior mistério do universo: o amor.
Aposto que o menino da escola não tem cabelo comprido.
No segundo volume, Valente Para Todas, conhecemos um pouco mais das individualidades e passado dos personagens, bem como acompanhamos um dilema ainda maior, quando Valente de repente se encontra como a pedra fundamental (Adoro usar essa metáfora, me deixem!) de um triângulo amoroso. Após travar diversas batalhas com seu coração, Valente sai vitorioso e fica feliz. Mas não por muito tempo, já que a história termina com uma grande interrogação, deixando a certeza que vem muito mais por aí.
Usando de um roteiro pautado em sensibilidade e recheado de referências divertidas, Valente tem aquele gostinho saudoso de infância que, misturado com o tom de descoberta da maturidade e sua já demonstrada capacidade de reinvenção, põe a obra de Vítor Cafaggi lado a lado com a de grandes cartunistas de tirinhas, como Bill Watterson, Dik Browne e Jim Davis.
"ADRIAN!!!"
Não me estendi muito detalhando a trama por dois motivos: ela é disponibilizada gratuitamente no blog do Vitor para quem quiser ler e na versão impressa, para quem quiser comprar, por um preço muito acessível. Eu aguardei o fim do segundo livro no blog para comprar as versões impressas, que se diferem por não serem coloridas, para ler tudo de uma vez só. E foi o que aconteceu: em uma tarde li os dois volumes e já aguardo ansiosamente o terceiro. Que venha Valente Por Opção!

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Sobre Jogos Vorazes - Parte 1


Uma estratégia sempre presente em qualquer mercado é a de aproveitar o sucesso de produto x e então criar alguns vários produtos y que sigam o mesmo padrão para garantir uma grana certa.

Outra um pouco menos nobre é a de, maliciosamente, propagandear um produto baseado na fama de outro, tentando atrair os mesmos compradores, quando na realidade o produto propagandeado não tem realmente muita relação com o outro com a qual está sendo comparado.

Confuso? Ok, eu devia ter ido direto ao ponto.

.

Pronto.

Sacaram? Sou um grande piadista, não? Hein?

Mas então, eu falava sobre propagandas. Certa vez, ainda em época do estouro de Crepúsculo, vi em uma livraria uma mesa com diversos livros desta série, acompanhados de... André Vianco. Pois é, obras como Os Sete e Sétimo estavam lá, fazendo companhia ao topete de Edward.

Tá, ambas as obras são sobre vampiros. Até certo ponto é válido. Mas se 95% dos que compraram alguma obra do Vianco por estar ao lado de Crepúsculo não se surpreenderam com o que encontraram, eu mudo meu nome pra Bella. Não resta dúvidas de que, se está sendo colocado lado a lado de Crepúsculo – uma história de amor entre o ser vampiro e o ser humano – a mensagem que isto passa é “venham, venham, leitores de Crepúsculo; conheçam esta outra obra vampiresca! Se gostaram dos livros da Meyer, certamente apreciarão os do Vianco!”.

Não que seja impossível gostar de ambos, mas creio que entenderam meu ponto.

“Entendi que você é um preconceituoso de bosta, Bruno. E daí?”

E daí que este tipo de propaganda acabou me pegando também. Felizmente – pensava eu - da forma inversa, fazendo com que eu me afastasse de uma obra por crer que ela tivesse alguma semelhança com Crepúsculo.

Se vale a pena deixar um adendo, digo somente que nada tenho diretamente contra Crepúsculo, somente não é meu tipo de leitura, certamente.

Prosseguindo, assim que houve o estouro de Jogos Vorazes, eu fui acometido de diversos preconceitos contra a obra baseados no que a internet me garantia de informações. De um lado eu via as adolescentes citarem o tal filme e dele somente exaltarem a beleza de Gale e Peeta, e de como Katniss tinha de se decidir entre um dos dois; de outro, o tumblr me sufocava com a adoração do fandom às incríveis habilidades com arco e flecha da dita protagonista. Até mesmo os profissionais *pausa para risadas* alardearam Jogos Vorazes como “o novo Crepúsculo”. Então peguei-me, erroneamente, julgando Jogos Vorazes como uma obra de fantasia sobre uma arqueira infalível que se via entre a decisão por dois galãs sem sal, açúcar ou qualquer tempero.

E no fim descobri que a obra na verdade é tudo que há de bom.


...


Ok, essa foi a pior aplicação de referência que já fiz na vida. De tão ruim, é possível que nem notem. Mas a deixemos aí de recordação. Talvez a vergonha evite que eu repita tal atrocidade.

 

Afinal, sobre Jogos Vorazes.
A verdade é que Jogos Vorazes é um ótimo livro. Collins consegue com maestria se aproveitar da limitação de um livro voltado ao público jovem para torná-lo simples e extremamente eficaz, ou seja, interessante, empolgante, emocionante e, porque não, crítico.

Katniss, longe de ser uma protagonista superficial ou simples, narra todo o livro, o que garante uma visão interessante dos acontecimentos e fornece uma saída prática para a autora na hora de mexer com as intenções dos coadjuvantes, nos deixando somente a par do que Katniss vê e interpreta. Dessa forma, o livro pouco se foca em lutas e ação, apesar dos Jogos, sendo muito mais a jornada da garota em busca de sobrevivência. A quantidade de ação presente no livro é perfeitamente medida para equilibrar-se com as outras partes, da sobrevivência na floresta e do desenvolvimento da protagonista.

A Katniss por sua vez é complexa mas interessante, o que garante a vontade de acompanhá-la até descobrirmos onde ela chegará, física e mentalmente. É clara sua evolução no decorrer da obra, a cada situação drástica que ela supera; e ao fim do livro, ainda temos uma adolescente sendo moldada por tudo que passou, pelo que ainda está passando e ela não sabe como lidar, e a expectativa e medo do que acontecerá no futuro breve. O livro realmente lhe faz sentir que se viu somente uma pontinha de tudo que Katniss tem para oferecer e evoluir como personagem, fazendo com que a vontade de ler os próximos livros aumente desesperadoramente.

Ainda que sofra aqui e ali de seus defeitos e, como eu gostaria de chamar, desnecessariedades, o saldo final é extremamente positivo, avaliando sua intenção e público-alvo.

Creio ser extremamente difícil que haja alguém que ainda não conhece a obra ao menos por sua adaptação para o cinema. Esquivei-me de tratar da trama muito mais por não achar necessário do quê pra evitar spoilers. A intenção do texto é demonstrar o quanto acho Jogos Vorazes legal, e talvez incentivar outros que tinham o mesmo preconceito que eu a lê-lo.

Agora resta ler o próximo livro, assistir ao próximo filme, e torcer para que o foco na distopia e crítica à sociedade – que suponho seja a temática maior das sequências – seja bem apresentado e desenvolvido, já que na primeira parte deixou a desejar.

Até lá, eu me ofereço como tributo à Jennifer Lawrence.

ME USA, JENN.

domingo, 3 de novembro de 2013

Combo Rangers: Somos Heróis

Todos aqueles que têm na leitura de quadrinhos de super-heróis um costume, já desejou ter também alguns poderes. Talvez as pessoas... comuns, por falta de um termo apropriado, ao assistirem algum filme do Super-homem, ou mesmo algo como Vingadores, já deve ter se imaginado com a capacidade de voar, ter uma armadura igual a do Homem-Ferro ou madeixas iguais as do Thor. Ou ter a Natalie Portman.

É, na conta final, Thor é o que tá melhor desses heróis todos.

De qualquer forma, ansiar por capacidades além das suas é algo comum, ainda mais quando elas o tornariam tão superior aos outros; e isso vale para capacidades físicas, especiais ou mentais. Usar essas capacidades para lutar pelos fracos e oprimidos talvez seja um desejo um pouco menor no coração das pessoas, mas deve existir aqui e ali. E é isso que Combo Rangers sempre foi, uma história de jovens que tem esse desejo de usar seus poderes para lutar pelo amor e pelo sorriso das crianças.

A série percorreu um longo caminho até aqui, tendo começado na internet, há mais de uma década, e posteriormente indo para revistas. Eu, particularmente, acompanhei somente da fase em quadrinhos físicos; e lá a série já mostrava bastante maturidade e consistência. Ficava óbvio em cada história o amor de seu autor, Fábio Yabu, pelos super-heróis e suas fantásticas aventuras em quadros. Amor este que ele aplicava completamente em Combo Rangers, tornando-a a melhor representação de super-heróis brasileiros.

Quadrinhos nacionais sempre sofreram para conseguir seu lugar. Desde os tempos de meu pai – que até hoje tem como hobby produzir quadrinhos – quando havia um grande foco em criar os super-heróis brasileiros; até os momentos mais recentes, onde minha geração sofreu uma influência extrema dos quadrinhos e animações japonesas e começou a produzir conteúdo do mesmo tipo.

O Yabu, por outro lado, nunca se prendeu a nenhum dos lados, e Combo Rangers é uma grande amálgama desses dois mundos. Enquanto a ideia geral do grupo de heróis é obviamente baseada nos grupos de super sentai japoneses (ou seja, Power Rangers e afins, como o próprio título da série do Yabu deixa claro), a ideologia sempre foi muito mais voltada para o que os escoteiros super poderosos ocidentais pregam. Essa combinação, temperada sempre com influências e referências dos dois lados, tornou Combo Rangers algo quase único e surpreendentemente interessante.


Combo Rangers até aqui
Como já havia dito, acompanhei os Combo Rangers somente em sua versão física. Mais especificamente, as fases formatinho da JBC e formato americano da Panini; esta, a última saga dos Guerreiros do Amor até este ano, e que por muito tempo pensei que seria a última definitivamente.

Desde a fase da JBC a série já possuía um universo bem desenvolvido e demonstrava bastante maturidade. Enquanto havia histórias simples que traziam humor e ação, como Num Piscar de Quatro Olhos, Meia-Noite é o nome da vingança e Combo Ranger por um dia, existiam também aquelas com tom mais sério, como O legado de um Supercampeão e Um mundo de Zeros e Uns.

A edição do Supercampeão, além de uma homenagem ao Super-homem e seus parceiros heroicos americanos, questiona algumas mudanças que ocorriam nas histórias destes, que tentavam alcançar um lado mais sombrio em suas tramas, o que as sobrecarregava de violência desnecessária e tirava o foco do ideal dos heróis – que os Combo sempre seguiram tão bem – de lutar para proteger algo, ao invés de lutar somente por lutar.

 
Devo dizer que sou um dos entusiastas das tentativas de amadurecer as aventuras destes heróis. Digo, talvez para os velhacos que os leem há mais de trinta anos, realmente não soe interessante esse tipo de mudança; mas pra mim não havia nenhum sentido ver um mundo tão colorido, ou melhor, tão preto e branco. E foi isso também que me cansou por um tempo das HQs ocidentais e me fez correr para as orientais, onde os personagens lutavam até a morte. Claro que a diferença nesse caso é que, por ser já parte da cultura de quadrinhos deles, os orientais sabem lidar com histórias onde há reais sacrifícios, principalmente se considerarmos que seus mangás chegam a um fim. De qualquer forma, as tentativas desmedidas das editoras norte-americanas de tomar novos rumos e causar reações destruíam a essência dos personagens de maneira irreparável. E o engraçado disso tudo é que, enquanto esta edição dos Combo Rangers questiona ou mesmo critica essa atitude, o próprio Yabu nunca se impediu de seguir esse caminho. Com a diferença de que seu universo heroico sempre foi maduro o suficiente pra lidar com estes temas mais sérios e não fazê-lo de modo raso e forçado.

E é aqui que eu repito que o Yabu tem o melhor dos dois mundos.

Outra edição que destaco desta fase da JBC é a Mano ou Ultramano?, que levanta o tema da problemática de ser um super-herói, tema que veio a se tornar o principal na fase da Panini.

Sempre sem perder o fôlego, esta nova fase continuava com o universo interessante dos Combo, mas trazendo uma continuidade muito maior entre as revistas, ao invés de inserir problemas que se limitavam àquela edição e não trariam nenhuma consequência posterior. Aqui o tema sempre revisitado foi de como a vida dos seis garotos era afetada por sua condição de super-heróis, sendo isso quanto à escola, família ou os relacionamentos de amizade ou amor entre os seis. E, se é que preciso me repetir, tudo tratado de forma minuciosamente madura e interessante.


Meu texto todo aqui com certeza parece somente exaltações de um fanboy. A verdade é que nunca me vi como um fã de Combo Rangers, mas depois de ler a Graphic Novel que me fez escrever este texto, percebo que talvez eu seja.

Combo Rangers: Somos Heróis
Após dez anos sem publicar nada de sua principal série, Fábio Yabu decidiu mexer novamente com ela, para a felicidade de todos nós. Através do financiamento coletivo do Catarse, Yabu alcançou o capital necessário para lançar três Graphic Novels dos Combro Rangers, uma por ano, mais uma vez pela editora JBC.

O Yabu tinha algumas opções do que fazer aqui. Ele podia continuar de onde parou, já que a série da Panini não teve uma conclusão, ou recomeçar do zero. Talvez três histórias isoladas sem nenhuma amarra direta com a última série. E ele acabou tomando uma decisão ainda melhor e juntou as opções numa coisa só.

Somos Heróis reconta a formação dos Combo Rangers, apresentando-os em um novo cenário, Cidade Nova, onde parte da população tem super poderes e os, de fato, super heróis já estão fora da ativa há algum tempo. Com a chegada de uma nova ameaça na forma de Satan Boss (quem sacou a referência sacou, o restante pode ir pro cantinho dos noobs), cinco crianças com diferentes virtudes são convocados pelo Poderoso Combo para usarem seus poderes e se tornarem os Combo Rangers, o esquadrão dos sonhos.



Inicialmente a revista soa como um dos clássicos reboots que acontecem de quando em sempre, inclusive recentemente, nas editoras norte-americanas Marvel e DC. E apesar disso, a trama não abandona completamente o passado dos personagens, deixando no ar algumas dicas de que talvez aquele universo seja revisitado de alguma forma. As referências ao próprio universo dos Combo estão presentes, como personagens que outrora foram vilões, aqui assumindo aparência e função diferentes, sendo reconhecidos somente por leitores antigos. Ainda assim, o reconhecimento não se faz necessário para entender a história, tornando a HQ completamente acessível a leitores novos, uma escolha sábia de Yabu.

A trama se foca no que os Combo melhor sabem representar: o sentido de ser um herói, e quando isto é dádiva e quando é uma maldição. E faz isso muito melhor que vários dos ícones estrangeiros deste gênero. Pra quem sempre acompanhou o gênero, é certo que haverá identificação em todos os níveis.

A arte merece também o máximo de elogios. Se em algumas fases anteriores ela já deixou a desejar – especificamente em parte da fase Panini – aqui Michel Borges a produz perfeitamente, desde a garantir ação e emoção, até aos artifícios cômicos visuais, tão comuns aos mangás. Todas as outras questões visuais, como arte-final e cores também estão impecáveis, tornando esta edição um deleite visual.


Acho, e espero, que eu nunca escreva um texto tão grande de novo. Mas Combo Rangers merece. Somos Heróis merece. Ainda que a qualidade técnica fora garantida também pela fama de Yabu que arrecadou tanto patrocínio dos leitores, e que poucos outros autores nacionais teriam a mesma chance, isso tudo foi alcançado inicialmente pela capacidade dele como quadrinhista, desde a época que o próprio tinha todo o trabalho artístico. Isso mostra que é possível sim trabalhar com o gênero de super-heróis no Brasil – coisa que muitos duvidam – de forma competente e com alta qualidade de roteiro.

Combo Rangers: Somos Heróis entra facilmente nos primeiros lugares do ranking de lançamentos nacionais de 2013, e se faz necessário para todos aqueles que leem quadrinhos, que apreciam trabalhos nacionais ou que simplesmente um dia sonharam em serem heróis.




 

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Crítica - Chico Bento Moço #2

Como disse no final da crítica sobre o volume um, fui conferir onde a continuação da história do Chico Bento Jovem – digo, Moço – ia dar. Já tinha desistido de acompanhar porque tô muito afim de comprar uma coleção do Speed Racer que vai estourar meu orçamento para HQs, mas não resisti ao passar pela banca e ver a cara do rapazote desesperado.


Crítica:
Chico Bento Moço – Volume 2
Contrariando o que eu pensei a princípio, o segundo volume consegue sim manter a pegada da introdução. Embora aqui a história seja um pouco mais rápida, o sentimento e a dedicação depositados nela são nítidos em todas as páginas.

Se faltaram os personagens clássicos, sobraram apresentações. A trama segue de onde a revista anterior parou, mantendo a ideia de linha do tempo reta que eu havia comentado. Chico chega à cidade grande e logo nos primeiros minutos sua ingenuidade, somada à falta de um celular, lhe prega um susto. Logo na primeira página já consegui novamente me associar à história do garoto, suas preocupações e primeiros desafios. Morar com gente estranha, com hábitos diferentes, em uma cidade diferente, não é brincadeira.

Você ainda não viu nada, Chico...
Chico tem dificuldade para dormir, come mal para economizar o dinheiro que o pai lhe manda, fica bravo com a barulheira do colega rockeiro e se sente sozinho. Todos os colegas da pensão são muito reservados e demora pro garoto entender que na verdade todos têm os mesmos problemas: saudades de casa, medo de estar incomodando os demais, insegurança para fazer novas amizades. Nosso herói resolve toda a situação, une todos e lidera a organização do lugar onde moram, como era de se esperar.

Não tem muito do que se falar dessa edição. É vital para a continuidade da história por apresentar os personagens, o ambiente onde tudo se passará e estabelecer tramas. Novamente, vale a pena comprar se for um fã das histórias da turminha da roça. 


Resolvi escrever essa criticazinha somente por conta de um momento. Chico estressado por conta de toda turbulência da cidade encontra no parque local o lugar ideal para descansar. Lá conhece o zelador rabugento do local que só muda de expressão quando vê o quanto o menino gosta da natureza. Ele até convida o jovem para trabalhar de assistente, mas Chico recusa para evitar ser zoado pela turma da república. Esse trecho me surpreendeu demais! E mostrou todo potencial de realismo que tem o título.  É claro que certas coisas se resolvem rapidamente por conta do tamanho de cada edição, mas situações diferentes como essa são as que me fazem nutrir ainda mais carinho pelo personagem. Quando Chico mostra que aquele garoto inocente, que só queria roubar goiaba e nadar no riacho o dia todo, também tem preconceitos e quer se enquadrar no padrão dos outros, vemos o quanto a criação de Maurício de Souza é humana. E é por isso que seguirei investindo em suas obras.

E ah, quem não comprou ainda pode aproveitar e comprar aqui no site da Panini, que está enviando totalmente de graça o volume 0 para quem faz compras online.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Pokémon Origins



Aaaahhh, Pokémon. Uma das melhores, quiçá a melhor, série de RPG dos videogames. E quem discorda disso é, parafraseando alguns amigos, leigo ou hater.

Bons tempos aqueles em que assistíamos Pokémon no programa da Eliana, não? E jogávamos aqueles maravilhosos jogos de gráficos impecáveis do Gameboy. Capturávamos um Nidoran e não saberíamos diferenciá-lo nem de um Pidgey, de tão incríveis os sprites. Uma obra de arte, sim senhor.

E pensando aqui... Eliana. Ah, Eliana. Oh, Eliana. Talvez ela fosse a verdadeira atração e Pokémon fosse somente secundário. Ainda assim, sempre preferi a Jackeline do SBT. Ou a Kira do Band Kids.

Oh deuses, Kira. Como será que anda a senhorita? Suspeito que 90% das crianças que se tornaram adolescentes desejosos por garotas asiáticas – algo bastante comum entre a classe dos apreciadores de anime e mangá – assim foram pois queriam encontrar a Kira de suas vidas. Eu nunca encontrei.

Encontrei uma coerana, certa vez. Uma graça de garota.

E daí ela despedaçou meu coração.

...

Perdoem-me, por um acaso divaguei? Onde eu estava? Ah sim, Pokémon! Saudosa série de jogos e desenho animado! Quem não gostava de Pokémon provavelmente não tinha amigos.

Mas crescemos e Pokémon se afastou da maioria de nós. O anime então, mais ainda. Ele estagnou, prosseguiu sendo uma atração para crianças; o que, claro, continua sendo um bom negócio, pois a cada ano temos mais e mais novatos no mundo dos monstros de bolso e o anime de Ash e Pikachu é uma ótima porta de entrada. Entretanto nós, seres de idade adulta que ainda apreciamos uma boa jogatina de galos de briga com poderes mágicos nos tornamos órfãos de uma série animada de Pokémon há anos. O protagonista Ash, cujo único grande mérito é a vitória em uma Liga Pokémon filler, e seu Pikachu nível 100 que ainda apanha de pokémon selvagens nível 5, já há muito deixaram de representar os jogadores assíduos da série, que a cada geração se torna mais estratégica e dinâmica.

Nossa cara, você é foda, quer um doce?

A única alternativa é o mangá, Pokémon Adventures, que poucos conhecem e, de todos que conhecem, nem todos se interessam. Aparentemente ler já é uma atividade dificílima, no computador então...

 Até que, em pleno 2013, às vésperas dos jogos da geração VI, a salvação chegou na forma de Pokémon Origins (Pocket Monsters: The Origin lá na terra da Kira). Mas e aí, que diabos é esse Origins e porque ele é tão importante?


POKETTO MONSUTA: ZA ORIJIN!!!
Pokémon: The Origin é um especial para televisão feito em conjunto por três estúdios diferentes, responsáveis por diversas animações famosas, como Patlabor, Ghost in The Shell, Shaman King, To-Love Ru e a própria série original de Pokémon e seus filmes. A intenção deste especial é adaptar de fato os jogos da primeira geração, ou seja, a fase Red, Blue e Green. Ele possui uma hora e meia de duração e foi dividido em quatro partes de vinte e poucos minutos, que atuam como quatro episódios separados.

Em termos de enredo, como já dito, o especial adapta o jogo, o que significa que não deve-se esperar muita coisa. A história segue o protagonista Red em sua ida ao laboratório do Professor Oak (o bom e velho tiozão dos Pokémon, Carvalho, que dava uns catas na mãe do Ash,) para conseguir seu primeiro pokémon e sua pokedéx, afim de coletar dados sobre todos as criaturinhas enquanto viaja pelo mundo. Eventualmente ele conhece as regras relacionadas às competições pokémon, das oficiais ou simplesmente das batalhas entre treinadores, assim como amadurece como treinador.

Cada parte cobre com foco maior uma parte específica do trajeto do jogo sendo elas – em poucos detalhes para evitar spoilers – o início da jornada, a cidade de Lavender, o ginásio do tipo Terra (Ground) e por fim o desafio da Liga Pokémon mais o embate contra o pokémon lendário supremo (no coração dos fãs, ao menos). O restante da aventura ocorre em off, durante um episódio e outro, e são narradas rapidamente pelo Red no início de cada episódio. Esta decisão desagradou alguns, mas creio ter sido a decisão mais inteligente a se tomar ao se ter somente uma hora e meia para representar um jogo inteiro. Na minha (não tão) leiga opinião, a escolha dos momentos de foco foi perfeita. É clara a intenção de explorar o amadurecimento de Red como treinador e sua relação com seu pokémon, e nada melhor para isso que explorar as batalhas mais significativas do jogo e o momento mais pesado do mesmo, em Lavender.

O especial tenta de fato se conectar o máximo possível com o jogo, tratando toda a questão de efetividade dos tipos em conta e até mesmo utilizando coisas como as barras de HP para calcular danos durante as lutas. Outro detalhe bastante interessante é o uso da trilha sonora marcante dos jogos nos momentos mais icônicos, como a sinistra música da Pokémon Tower ou a incrível trilha das batalhas. Não há como não abrir um sorriso ao se ouvir no Origins o toque alegre de quando se alcança a vitória em um ginásio.

Em termos de qualidade técnica da animação, ainda que peque um pouco na segunda parte - talvez porque o foco desta não está nas lutas mas elas estão presentes no episódio - as partes um, três e quatro são lindas de se assistir, com batalhas velozes e com impacto.

No final, para apreço de alguns, desprezo de outros, há uma conexão – pra não chamar de propaganda – de uma mecânica de jogo introduzida na geração atual, e que portanto, canonicamente, nunca deveria fazer parte de uma adaptação da primeira geração. Bem, eu achei divertida de se ver na prática, e não prejudicou o enredo, então considerei válida.

Mas Bruno, seu fanboy parcial do cacete, qual a importância desse especial?
A verdade é que somente o tempo dirá. Ele isoladamente funciona como uma apresentação do universo dos jogos de Pokémon, seja para novatos incultos ou veteranos saudosos, sem deixar de lado a chance de apresentar também a cara atual da série.

Para os fãs que sempre ansiaram por uma animação realmente baseada nos jogos, resta esperar e torcer para que este tenha sido somente o começo. Que eventualmente venha uma adaptação para Pokémon Yellow ou mesmo diretamente para a geração II, com Gold e Silver, e daí para o infinito e mais um pouco. Afinal, esperamos mais de uma década para isso, e digo que a espera valeu a pena; mas caso se resuma a isso, eventualmente se tornará somente uma boa lembrança perdida no meio da gigantesca dúvida que ainda cerca a ausência de uma série que adapte diretamente os jogos de forma competente.

Até lá, eu sobrevivo lendo somente o mangá – e todos vocês também deveriam fazê-lo.


domingo, 29 de setembro de 2013

Crítica - Surpreendentes X-Men: Superdotados

Nunca havia lido nada de Surpreendentes X-Men. Em parte por conta da enorme dificuldade de se completar ou assinar coleções morando no interior, em parte por conta de um preconceito com a arte de John Cassaday. Com a chegada do segundo volume da Coleção Oficial de Graphic Novels da Editora Salvat, que inverteu a ordem de lançamento da coletânea original (O segundo volume da versão gringa foi o arco lendário de Os Fabulosos X-Men, Fênix Negra.), me vi obrigado a consumir o título. E fico feliz por tê-lo feito, quase dez anos depois, porque foi bom ver como meu eu adolescente não poderia estar mais errado.

Crítica:
Confesso que graças à minha visão errônea do trabalho de Cassaday demorei um pouco para ler. Não gostei da capa e mandei a expressão que diz para não julgar o livro por ela para escanteio por uns dias. Também tive a prepotência de assumir que Joss Whedon, respeitadíssimo e bem sucedido roteirista, diretor e produtor de cinema e televisão, além de co-autor de um dos meus filmes favoritos de todos os tempos – Toy Story – e diretor de dois dos melhores episódios de The Office, não faria algo bom em X-Men e quebraria o encanto.

Logo na introdução, antes mesmo de começar a história, me senti satisfeito ao ver que a trama começava justamente do ponto onde abandonei a leitura, após a saga do Vírus Legado, seguindo o retorno de Lince Negra, a gênio dos computadores (e jailbait) Kitty Pryde, à equipe reformulada dos X-Men. Assim como O Espetacular Homem-Aranha: De Volta Ao Lar, Superdotados parte de um momento de separação. A equipe de mutantes se dividiu em duas e Ciclope, junto da “ex-vilã” e agora namorada Emma Frost, se tornou o líder de facto da equipe principal, que também conta com Fera e o recém-convocado Wolverine. Como de costume a opinião pública está contra os mutunas, então Scott quer dar um “golpe de publicidade” para melhorar a imagem do grupo, surpreender a todos e... uau! Não é que a máxima “tudo que Joss Whedon toca é ouro” (patente pendente) é verdadeira? Em uma fluidez absurda somos levados de uma discussão sobre uniformes até uma tentativa de organizar o funcionamento da equipe em missões de resgate que podem chegar aos noticiários e tocar a sociedade. Nossos heróis só não contavam com a primeira aparição do vilão Ord, um alienígena cujos planos não revelados (Motivo de gozação por parte do Fera.) incluem a destruição de todos os mutantes, algo que convenientemente acontece quando é anunciada uma cura para o gene mutante.

Whedon trabalha aspectos modernos como manipulação de mídia e conscientização de massas o tempo todo, mostrando como a comunidade mutante, sempre rechaçada pelo próximo mesmo após salvar o mundo diversas vezes, reage diante de uma notícia que a poria em par de igualdade com aqueles que tanto a temem. Enquanto o X-Man honorário Lockheed põe Ord pra correr, Dr. Hank McCoy vai atrás de uma velha colega para descobrir mais sobre a tal cura mutante. A não aceitação de seu lado bestial, já tendo sido um homem de aparência normal, é um tema recorrente na construção de personalidade do Dr. McCoy, e nessa edição é interessante ver como Logan, que é o extremo oposto do Fera – um homem comum que se entrega ao seu lado animal, – age com maturidade e responsabilidade (Ou seja, socando impiedosamente.) quando o companheiro de equipe oscila.

Abro um parêntese aqui para comentar também como minha opinião sobre Cassaday mudou. Não era fã de seu traço mais realista e quadrado por ser amante da velha escola de personagens com corpo de boneco, mas, com exceção das capas, gostei de tudo que ele fez aqui. Profundidade, jogo de sombras e até as expressões mais cartunescas nas reações das personagens se encaixam perfeitamente e agregam muito ao roteiro.

Ao descobrirem algo muito mais sinistro por trás da cura mutante – que por sinal é comparada em alguns momentos com cura para homossexualidade, um assunto tão recente que também foi utilizado de forma alegórica em X-Men: First Class – os filhos do átomo invadem o laboratório de pesquisas, onde enfrentam Ord novamente, enquanto Kitty é forçada à enfrentar algo totalmente inesperado. Whedon nunca escondeu que se inspirou na personagem para a criação de Buffy e em seu período na Marvel prestou grande serviço a ela, tornando o desenvolvimento da maturidade da garota é um dos pontos-chave da trama e o que o mantém o roteiro amarrado. Um personagem querido retorna do mundo dos mortos (O que seria uma grande surpresa se o verso do livro não tivesse sua imagem estampada.) e quase resolve sozinho e de forma contundente a luta contra Ord.

Nesse momento mais uma vez o toque de Whedon se fez presente. A S.H.I.E.L.D., mostrando que nem tudo em história em quadrinhos é preto e branco (Conforme seria apresentado também em Os Vingadores anos mais tarde.), interrompe a pancadaria informando que os ocorridos não passam de uma manobra diplomática da S.W.O.R.D. (O governo e seus acrônimos...), portanto os X-Men não podem fazer nada. Exceto Wolverine, que com duas palavras (Cannonball Special!) põe tudo abaixo. Algumas discussões sobre a filosofia e importância de cada membro, a alegria pela volta do companheiro caído e, como em De Volta Ao Lar, um final com um baita teaser para a próxima edição encerram a história.

Superdotados não mexeu comigo como a história do Homem-Aranha, mas vale muito a pena por ser extremamente divertida – todos os heróis tem sensos de humor que se complementam – e contar com um roteiro fora de série que, conforme citado anteriormente, trata de questões tão atuais e desenvolve personagens de maneira única, colocando um pouco de cinza na eterna e interminável luta do bem contra o mal.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Crítica - Chico Bento Moço

Dizem que a melhor coisa a se fazer em momentos de crise é parar e reavaliar a situação, rever as escolhas que te levaram até ali, revisitar o passado em busca de respostas. Quem me conhece sabe que eu sou um reclamão, então a primeira coisa que fiz quando recebi um e-mail da Panini informando o lançamento do título Chico Bento Moço foi choramingar no twitter sobre como mesmo para uma revista sobre um garoto da roça era desnecessário o nome ser tão caipira. De qualquer forma, quando vi o título em uma banca aproveitei a oportunidade para voltar no tempo. E que viagem!

Crítica:
Aprendi a ler com a turma do Maurício de Sousa e, vivendo no interior, sempre me identifiquei muito com Chico Bento. Claro que em minha cabeça eu era o Cebolinha da rua (e o Jean era o Cascão), mas o dedão constantemente esfolado por andar descalço, as tentativas de fazer casa em árvore, as frutas colhidas no pé e o chocolate com leite quente da teta da vaca (seguido pela dor de barriga) claramente evidenciavam as semelhanças com o menino simples da fazenda. As histórias do Chico tem grande influência em diversos aspectos da minha vida, inclusive os medos. Jamais esqueço da vez em que, em visita ao primo Zeca na cidade grande, o menino prendeu a bota na escada rolante e causou o maior transtorno no shopping. Até hoje não sei usar escada rolante direito...

Chico Bento Moço tem esse clima gostoso de nostalgia que me fez lembrar de toda a infância e rever vários momentos de escolha. Na história, que diferentemente dos quadrinhos antigos provavelmente seguirá uma linha do tempo “reta”, acompanhamos o último mês de Chico na Vila Abobrinha antes de partir para a faculdade de agronomia. Como o mais realista – e, como diz o próprio Maurício, pé no chão – dos títulos da turminha, tudo que há de direito nessa fase está presente: aquela saudade antecipada de tudo que vai deixar de fazer com frequência, sejam banhos no riacho ou um simples café depois do jantar com a família, uns amigos se mudando para correr atrás dos sonhos enquanto outros permanecem na cidade com ambições mais próximas, o pai que se faz de forte mas vive inventando desculpas para você ficar mais um pouquinho e a mãe que provavelmente sofre mais do que todo mundo mas se mantém forte, dando todo apoio, carinho e comida do mundo. Entre o período da aprovação e o dia da viagem para a nova cidade, onde vai morar em uma república com o primo, Chico passa por momentos singelos e emocionantes ao se despedir de cada um dos personagens que fizeram sua infância ser tão especial. Cada encontro – com o Zé Lelé, a vó Dita, o nhô Lau, a professora Marocas – traz consigo uma carga grande de sentimentos e deixa aqueles que como eu sentem que o garoto é um de seus grandes amigos de infância com um baita nó na garganta. A cena em que um personagem especial aparece para se despedir e dizer para Chico nunca se esquecer de suas origens e inocência é o ponto mais alto da história e uma ode a todos os fãs.

Como não podia deixar de ser, um dos maiores dramas da mudança é a separação – pela distância – de seu grande amor, Rosinha, e é quando se despedem que Chico, que até então continuava o garoto educado e grato que sempre fora, mostra o quanto amadureceu. Confesso que apesar de a revista toda ter me deixado emocionado, o final me deu arrepios!

Chico Bento Moço é para todos os públicos (Minha irmã de 10 anos e minha mãe também leram e adoraram.) e mesmo custando R$7,50 vale cada centavo, seja para conhecer os rumos que o jovem vai tomar ou somente matar as saudades. Não acredito que as próximas edições vão manter a pegada da primeira, mas certamente vai ser legal acompanhar, ao menos mais um pouco, um personagem com o qual a gente pode relacionar e ver onde os desafios de Francisco Bento para arrumar emprego, estudar e manter o namoro à distância na cidade grande vão leva-lo.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Crítica - O Espetacular Homem-Aranha: De Volta Ao Lar

No segundo semestre desse ano a Editora Salvat, em parceria com a Panini, realizou um de meus sonhos ao anunciar a publicação no Brasil da Coleção Oficial de Graphic Novels Marvel, um prato cheio de orgasmos nerd lançando em 2011 pela editora francesa Hachette Partworks em alguns países de língua inglesa como Reino Unido (que não é um país e sim um Estado formado por vários países, mas você entendeu), Irlanda, África do Sul e Austrália. Essa coleção contém todos os melhores arcos do universo Marvel reunidos em edições únicas, o que é a maior mão na roda para quem sempre quis ter as HQs, mas nunca conseguia comprar todas as revistas de zilhões de títulos diferentes para completar as histórias. Cada revista – ou livro – é impressa em papel de qualidade, com capa dura e verniz localizado, e além de conter informações para situar o leitor do ponto do qual a história vai partir, inclui também informações sobre o artista, o roteirista e rascunhos das páginas, o que faz jus ao salgado preço de cada volume. Como esse post não é pago (Quem dera!) e quem se interessa por qualidade de papel tá trabalhando em gráficas ao invés de estar lendo esse blog, vamos logo ao que interessa.

Crítica:
Para começar com o pé direito (E esse preconceito com canhotos?), nada melhor do que o personagem favorito de todo mundo em uma história bem diferente do habitual. Muito se fala da genialidade do lendário Stan Lee ao criar um personagem, lááá em 1962, que ia contra todas as regras e parâmetros estabelecidos pela indústria de quadrinhos. Na época, um super-herói era sempre um homem adulto, geralmente um modelo de perfeição a ser seguido (a maioria tinha carreiras de sucesso que normalmente envolviam bombas explodindo em suas caras e lhe garantindo superpoderes – típica situação win win), e seus sidekicks eram moleques insossos que ninguém queria ser amigo. Lee deu um passo à frente fazendo de Peter Parker não somente um adolescente, mas um eterno perdedor com o qual todos podem se identificar. Ao longo de 51 anos, o amigão da vizinhança passou por muitas e boas, lutando para manter o mundo livre de vilões, conquistar a atenção do amor de sua vida e pagar o aluguel em dia, coisas normais do dia a dia de qualquer ser humano.

O que? Vocês também não combatem o crime durante a noite?

Enfim, seja qual for a trama, existe sempre algo com o qual o leitor possa se relacionar (como vender seu casamento para o Tinhoso em troca da vida de sua tia de 80 e tantos anos), tornando a leitura melhor ou pior. E é nesse ponto que De Volta Ao Lar me ganhou: eu não poderia ter lido essa história em momento melhor! Além de ser o marco do início de uma era muito bem sucedida nas mãos de J. Michael Straczynski e John Romita Jr, claro.

Na trama, Peter sofre mais uma derrota do destino. Não aquele Destino. Após uma sucessão de problemas com vilões, Mary Jane o deixa por não suportar viver com um homem que fez escolhas que tornam o casamento insustentável. Desiludido, o Cabeça-de-Teia faz o que todos temos vontade quando os pensamentos não dão trégua: sai por aí destruindo coisas. Numa dessas andanças, Peter acaba voltando ao Colégio Midtown, que está em péssimas condições, embora algumas coisas nunca tenham mudado. Após um encontro com um estranho com os seus mesmos poderes, Peter é indagado sobre a origem de suas habilidades. Em dúvida sobre os motivos reais de sua luta, decide que pode fazer a diferença e volta ao colégio, quando enfrenta um dos adversários mais chocantes da sequência e acaba se tornando o novo professor de ciências. Nesse meio tempo, somos apresentados ao vilão principal da história, Morlun, que por sinal estreia nessa edição. O estranho (Ezekiel) conta a Peter sobre os poderes do vilão e oferece proteção. O Aranha gentilmente recusa, já que dessa forma ele estaria dando as costas aos seus problemas e todos sabemos que COM GRANDES PODERES VEM GRANDES RESPONSABILIDADES, EZEKIEL MOLÓIDE! Ao se encontrar com Morlun, Peter logo se arrepende pois seu soco é mais poderoso que o do Hulk e o do Thor. Pois é, pois é, pois é! Após apanhar muito, muitos inocentes serem assassinados e Ezekiel entrar na briga e também levar porrada, o Homem-Aranha já se considera derrotado e como não sabe o telefone do Quarteto Fantástico (Sério!) decide se despedir de seus entes queridos. MJ faz sua última vadiagem ao não atender a ligação, o que nos leva à parte que me levou às lágrimas: o telefonema para tia May. A partir daí o ritmo se acelera e, em uma solução totalmente Deus-Ex Machina, Morlun é derrotado, a vida é bela de novo (não são minhas palavras) e ainda sobram páginas para um final histórico de deixar o leitor de boca aberta.


De Volta Ao Lar vale a pena por ser ao mesmo tempo uma trama simples e que se dá o trabalho de tratar de assuntos nunca antes levantados nas HQs do aracnídeo, entre problemas do sistema educacional e os jovens que estão formando, passando pela possibilidade real de morte e o fato de não estar tão sozinho quanto imagina, até a interrogação genial sobre a picada da aranha ter sido acidental ou uma mensagem. Além disso, como sempre leva a risca seu próprio credo, toda história do Homem-Aranha carrega uma grande mensagem (Assim como todo episódio do He-Man.), basta vontade – e às vezes experiência – para entendê-la.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

500


Quinhentas folhas são quinhentas possibilidades.

Quinhentas ideias, quinhentos estilos, quinhentas abordagens diferentes sobre o mesmo assunto. Ou até quinhentos tópicos diferentes, cada um com uma visão somente.

Mas afinal, quem consegue planejar quinhentos-qualquer-coisa? Talvez dez, talvez vinte. Cem, quem sabe. Mas não quinhentos. Você não faz uma lista com quinhentos itens, assim, do nada. Nem se propõe a quinhentas resoluções de fim de ano. Caramba, nem o ano consegue ter quinhentos dias! Faz trezentos e sessenta e cinco com esforço. De quando em quando está de bom humor e faz trezentos e sessenta e seis.

Então é esse o conceito. Em termos práticos e curto prazo, quinhentos é um número inalcançável, infinito. Portanto estaremos tentando evitar qualquer limitação. Esperem textos sobre qualquer tema que nos dê na telha, desde cultura pop, questões do dia a dia, reflexões randômicas em salas de aula, até mesmo lesmas japonesas ou traumas de mesma natureza gastropodiana. É, eu gosto de inventar palavras, se acostumem.

No mais, tentaremos manter tudo por aqui minimamente interessante e raramente relevante.

Agradecemos desde já a leitura e vamos em frente que atrás vem o tarado. Exceto atrás de tu, Adam, que vem uma lesma. CORRE!!!!